Bolsonaro é pedra

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Quem não respeita a natureza
Não dá força para a beleza
Não considera a vida
É pedra, não é gente ainda.”
Pepeu Gomes, 1988.
Quando o cantor, guitarrista e compositor Pedro Anibal de Oliveira Gomes (o Pepeu Gomes) escreveu os versos deste grande sucesso musical, Jair Messias Bolsonaro era declarado culpado, por unanimidade, pelo Conselho de Justificação  Militar (CJM), condenado pela participação na “Operação Beco Sem Saída” e posteriormente absolvido pelo Superior Tribunal Militar, que desqualificou a investigação da Polícia do Exército. Portanto, ele ainda não havia iniciado sua longeva carreira política como parlamentar, com um mandato de vereador e sete como deputado federal, sempre pelo Rio de Janeiro. Então, provavelmente, o Pepeu não tomou muito conhecimento do capitão rebelde, na época, mas seus versos não poderiam se encaixar melhor no personagem que conhecemos hoje.
Sempre achei curioso o desconhecimento e desinteresse das pessoas que conheço, que dizem apoiar o Capitão da Câmara, pelas notícias publicadas sobre ele. Nunca sabem dos casos em que ele se envolve, nunca assistem suas entrevistas ou palestras e também não tem informações precisas sobre outros assuntos pertinentes ao momento eleitoral. Isso me causa a impressão de que a metáfora do cantor baiano pode ser novamente usada, mas com outro sentido: não importa aos bolsosseguidores a aparência ou mesmo a essência do seu “mito”. O que realmente importa é a reação que ele causa nas pessoas que ainda levam a política a sério, enquanto eles já não acreditam em mais nada. Assim, o candidato deles tem o estatus de uma pedra, que tem o seu valor determinado pelo estrago que pode fazer no outro lado. Então, a cada absurdo que o patriarca do clã profere ou pratica, ele cumpre melhor este papel. Deste modo, ele vem reunindo e revelando os que tem este sentimento de revolta justo, porém mal direcionado, e também os que surfam nessa onda de popularidade por puro oportunismo.
A eles, sem nenhum ressentimento, eu diria duas coisas:
1° – Toda onda acaba quebrando na praia e só os surfistas saem satisfeitos.
2° – Com tantas pedras atiradas, está se construindo um castelo do lado oposto.
Texto de André Mendes.

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