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MARTA ROCHA: CIRO VAI TRANSFORMAR ESSE PAÍS EM UMA NAÇÃO

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Nesta quarta feira, nós, da equipe do Cirão Carioca estivemos na ALERJ para conhecer a Deputada Delegada Marta Rocha, que será entrevistada por nosso companheiro Fernando Mendonça.

Em 1983, Marta Rocha passou no concurso para escrivã e foi lotada na 4ª DP, na Praça da República, no Centro, ali começava sua luta pela garantia dos direitos da mulher, pois a delegacia nem sequer possuía  banheiro feminino, após sua perseverança, um banheiro feminino foi construído.

Sete anos depois, já delegada de polícia e um ano após ter sido vice-presidente da Comissão da Segurança Pública da RIO 92, Martha atingiu o seu primeiro feito inédito: Se tornou, aos 33 anos, a primeira mulher a chefiar o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE).

Um ano depois, Marta se torna a primeira mulher a ser nomeada Corregedora da Polícia Civil, em 1999, assumiu o posto de Sub-Chefe da Polícia Civil, o segundo na hierarquia da instituição. Em 2009, foi nomeada para o cargo de diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM), onde ficou até fevereiro de 2011, quando entrou para a história como a primeira mulher a assumir a Chefia da Polícia Civil.

Em outubro de 2014 foi eleita deputada estadual com 52.698 votos pelo Partido Social Democrático (PSD) e começou uma nova batalha, dessa vez na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, militando pela Segurança Pública e pelo combate à violência contra as mulheres. Na Alerj, assumiu à presidência da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e a CPI da Violência Contra às Mulheres. Também é membro das comissões de Direitos Humanos, das Mulheres, de Cultura e Ética e Decoro Parlamentar.

Cirão Carioca: Nós temos aqui a honra de ter a presença da Deputada Delegada Marta Rocha, deputada estadual pelo Rio de Janeiro, Marta é delegada de polícia, tem uma história no trabalhismo, trabalhou junto com Brizola e é uma referência para nós e uma referência na luta das mulheres.

Cirão Carioca: É um prazer Marta, estar aqui com a gente no Cirão Carioca.

Marta Rocha: O prazer é todo meu e eu acho que o PDT tem muita coisa para falar, não só pelo trabalhismo mas a favor das mulheres, eu quero até aqui reverenciar, além do nosso eterno líder, Leonel Brizola, o nome de Lígia Doutel de Andrade. Lígia foi uma mulher trabalhista, Deputada Federal e que aqui no Rio de Janeiro exerceu uma importante função que foi presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, então foi através da Lígia que a gente construiu um movimento de mulheres que mais adiante culminou na criação das delegacias de mulheres.

Cirão Carioca: A senhora que foi Delegada de Polícia tanto tempo e entrou para a política, como é que a senhora vê essa luta das mulheres para se inserir em postos de comando na sociedade?

Marta Rocha: Eu queria falar de três momentos da minha vida, o primeiro momento quando eu chego na polícia em 1983, nós estávamos no processo de redemocratização, mas não tínhamos a constituição de 1988, a Constituição Cidadã, e ai, quando a gente pensa na Assembleia Nacional Constituinte, a gente tem que que pensar no “lobby do batom”, lá estava a nossa eterna presidente, Lígia Doutel de Andrade, então, nesse momento, a minha primeira luta quando eu chego numa delegacia, é a construção de um banheiro, por que não tinha banheiro para as mulheres em delegacia.

Cirão Carioca: Não tinha banheiro na delegacia? Era um banheiro único?

Marta Rocha: Não tinha banheiro, era banheiro único utilizado pelos homens. Eu tava em uma delegacia que eram 52 policiais, 51 homens e eu a única mulher. Então no final do primeiro dia de trabalho, eu meio que fiquei sem saber o que fazer, perguntei, vi que não tinha o banheiro e fui, discutir isso com o meu chefe, e ai eu conto que, a minha primeira luta sindical na polícia foi pela construção de um banheiro. Então a gente se organizou para ter um banheiro. então, isso mostra esse processo de aceitação da presença da mulher na instituição policial.

Mas a polícia, como diz Nelson Rodrigues, a polícia te mostra a vida do jeito que ela é, então, assim, num plantão policial, você recebe na madrugada, uma mulher agredida, sem ter para onde ir, com seus filhos.

E ai chega 1990, constituição de 88, em 90 eu faço um novo concurso público para o cargo de Delegada de Polícia e ai é uma nova realidade, mais uma vez, a única mulher na polícia que ocupava o cargo de Delegada era Marli Preston que foi a primeira mulher delegada titular de Delegacia de Mulheres e é importante dizer que foi na gestão, nas duas gestões de Leonel Brizola, que a gente teve o maior número de delegacias de mulheres.

Cirão Carioca: Qual a importância da Delegacia de Mulheres na estrutura de segurança?

Marta Rocha: Eu acho que, hoje, a Delegacia de Mulher, ela conseguiu mostrar uma nova realidade da polícia, então eu sempre digo que é o melhor retrato da polícia civil.

Porque o policial que não vem de marte nem de vénus, o planeta do amor, ele repete um comportamento, então da mesma forma que a sociedade entende que “briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, “eu não sei por que estou batendo mas ela sabe por que está apanhando”, o policial também entendia que bater em mulher não era crime, crime era o sequestro, roubo tráfico.

Então, eu acho que a estrutura das delegacias de mulheres, em que se implantou muito mais, a indicação da investigação, da inteligência, do que não acreditar que a exibição da força é garantia da paz, eu acho que a delegacia de mulheres fez essa mudança e hoje é uma realidade necessária, é bom que se diga, que hoje, 2018, 30% das ocorrências que chegam as delegacias, tem a ver com violência contra a mulher.

Cirão Carioca: É um índice ainda muito alto.

Marta Rocha: É um índice muito alto e quando a gente vai pros dados disponíveis de violência, que são os dados de 2016, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a gente vai ver que mais de 6000 mulheres foram mortas no Brasil [em 2016], então, a violência é uma realidade da vida das mulheres.

Não é à toa que a ONU escolheu entre os oito compromissos do novo milênio o enfrentamento da violência contra a mulher

Cirão Carioca: E aí tem esse momento na polícia e a senhora entra na política.

Marta Rocha: E aí eu me descobri uma feminista, que eu não tinha essa noção clara do que era ser feminista, eu acho que como na polícia eu conheci a desigualdade, a injustiça, eu sempre militei politicamente, mas não partidariamente.

Cirão Carioca: Tem mulher que não entende que o feminismo é essa luta por igualdade.

“Aliás, foi boa a sua pergunta, por que o que mais me incomoda é alguém dizer que não é feminista e sim feminina”

Marta Rocha: Aliás, foi boa a sua pergunta, por que o que mais me incomoda é alguém dizer que não é feminista e sim feminina.

Eu acho que a gente está discutindo aqui é o empoderamento da mulher, são os espaços de poder distribuídos de forma igual sem preconceito. Eu digo sempre que não existe espaço vazio de poder, se eu não estou naquele espaço, alguém está naquele espaço, e a gente tem que pensar que não há uma luta da democracia onde as mulheres não estivessem presentes, nas lutas do meio ambientes, nas lutas da anistia, nas lutas do enfrentamento da violência contra a criança, na luta do homicídios.

Talvez um bom exercício fosse a gente observar as filas do sistema penitenciário, do cárcere masculino, que são filas imensas de mulheres e o cárcere feminino, quem ajuda uma outra mulher, via de regra é uma outra mulher, quando a gente entra nesses dados do sistema penitenciário, a gente vai ver: tem mulher no mundo do crime, tem, mas ela não é o gerente da boca, ela é a mula que faz o transporte, via de regra, ela entra no tráfico de drogas através de um companheiro, de um namorado, se ela tá presa e tem filho, quem vai cuidar do seu filho não é o seu companheiro, é a sua família, sua mãe, a sua irmã, então, a gente mostra que existe uma diferença e toda vez que a gente pensa nessa diferença a gente tem que pensar assim: que a mulher cuida da família, então, mulheres escolarizadas garantem a permanência dos filhos na escola. Qual é o homem que leva seu filho ao médico? Qual é o homem… via de regra essa tarefa domestica de cuidar…

Cirão Carioca: É muito cultural isso.

Marta Rocha: Porque na verdade, nós mulheres somos criadas para cuidar. Se você olhar para dentro da psicologia infantil, você vai ver que os meninos estão na rua, jogando bola, nas disputas e as meninas estão em um canto da casa. Então, na verdade, nós mulheres somos criadas para cuidar e os homens são criados para competir, para vencer. É por isso que a tarefa doméstica não é valorizada, é por isso que a atividade da empregada doméstica não é valorizada, por que é sempre entendida como um ato de dedicação, como um ato voluntário e não como um ato que mereça um reconhecimento profissional.

Cirão Carioca: E isso acaba virando uma dificuldade, justamente para se inserir na política né, acaba virando um reflexo na inserção da mulher na política, que nós temos todos os motivos para incluí-la, mas, nós temos pouca representativade da mulher na política.

Marta Rocha: Não há dúvida, quando a gente compara os dados de 2010 com os dados de 2014, em 2010 a ALERJ teve 11 deputadas, em 2014 a ALERJ teve 9 deputadas e quando a gente compara esses números com o congresso nacional, com a câmara e com o senado, você vai ver que há partidos sem nenhuma representação feminina, sem nenhuma mulher nos seus quadros ocupando um cargo de deputado federal, de deputado estadual, ou de senador, ou vereador.

No Brasil hoje, dos 27 estados da federação, apenas um estado é comandado por uma mulher, uma governadora. Então, você vê como esses espaços são diferenciados, e na hora da política, se tem um candidato do sexo masculino, a mulher é a primeira da fila para estar ali ao lado do marido, cuidando da casa, cuidando de tudo, mas fazendo seu serviço extra de pedir voto para o seu marido. No sentido contrário isso não é uma realidade. Primeiro a mulher vai cuidar dos seus filhos, cuidar da sua casa, ajeitar a questão do seu trabalho, depois é que vai se dedicar à campanha. Não é à toa que essas diferenças, inevitavelmente, vão acabar se demonstrando no processo de escolha da população.

Cirão Carioca: E nós temos o prazer de termos como candidato à presidência, o Ciro Gomes, que em relação a inserção da mulher na política, é um dos exemplos no país não é?

Marta Rocha: Sem dúvida nenhuma, eu acho que primeiro a gente tem que olhar para dentro do nosso partido (PDT) e verificar que no nosso partido, nós sempre estivemos a frente das lutas da cidadania.

Vou dar um exemplo aqui: quando na segunda gestão do governador Leonel Brizola, além de nós termos a inauguração de mais delegacias de mulheres, nós tivemos a inauguração da delegacia que enfrentaria os crimes raciais, essa delegacia foi criada em outubro de 94 e o governador eleito em 95, porque Brizola não foi candidato a reeleição, o governador eleito (Marcelo Alencar – PSDB) simplesmente extinguiu essa delegacia em janeiro de 95. Então você vê, hoje, o movimento social que trata dessa questão da discriminação racial luta pela criação de uma delegacia.

Quando a gente traz esse tema, seja da mulher, seja do racismo, para dentro da campanha do Ciro, eu acho que a gente tem muito a falar, não só pela nossa história enquanto partido político, mas também pela história do Ciro, o Ciro nos cargos que ocupou, ele esteve na gestão de ministério, ele foi governador, ele foi prefeito, ele foi deputado federal, sobretudo no executivo, ele dividiu, 50% dos cargos eram ocupados por mulheres e 50% dos cargos ocupados por homens, quando a gente ainda não tinha essa discussão do espaço de poder das mulheres, do empoderamento das mulheres.

Cirão Carioca: Gestões que foram reconhecidas pela qualidade.

Marta Rocha: Quando a gente olha para os dados do Ceará, a gente vai ver a gestão financeira do estado do Ceará, a gestão na questão da educação no estado do Ceará, então tem tantas coisas, e eu acho até que a gente devia rememorar esses feitos, não para apenas lembrar que esses feitos foram na gestão do Ciro, mas para a gente aprender as boas práticas, eu não tenho dúvida que essas mulheres que ocuparam cargos importantes de gestão, impactaram diretamente na vida da sociedade e na vida das mulheres, eu não tenho dúvida que essa gestão de educação, que essa gestão financeira realizada pelo Ciro no governo do Ceará, na prefeitura que ele ocupou, aumentou o índice de desenvolvimento humano, então acho que a gente tem que destacar isso não apenas para reconhecer o feito do Ciro, mas também para, exatamente isso que eu acabei de dizer, para aprender com as boas práticas, porque aprendizagem nada mais é do que mudança de comportamento, então acho que a gente precisa otimizar essas boas práticas para criar um mundo sem preconceito, um mundo igualitário e com justiça para todos.

“eu não tenho a menor dúvida do que o Ciro é o melhor para o povo do Brasil, eu acho que o pensamento de desenvolvimento, o pensamento nacionalista, seu compromisso direto com o povo, com as causas trabalhistas, fazem dele o melhor nome para a disputa que vai estar se apresentando daqui a pouco, mas sobretudo (…) que Ciro vai transformar esse país em uma nação”

Cirão Carioca: A senhora tem esperança nessa candidatura do Ciro?

Marta Rocha: Eu tenho total confiança, eu não tenho a menor dúvida do que o Ciro é o melhor para o povo do Brasil, eu acho que o pensamento de desenvolvimento, o pensamento nacionalista, seu compromisso direto com o povo, com as causas trabalhistas, fazem dele o melhor nome para a disputa que vai estar se apresentando daqui a pouco, mas sobretudo, e ai, nesse momento eu me apresento como uma militante, como uma mulher, como uma cidadã, mas sobretudo como uma militante, para dizer que Ciro vai transformar esse país em uma nação, eu não tenho a menor dúvida e eu acredito muito no bom senso, eu acredito no povo brasileiro, a gente está vivendo um momento de extremismo, em que a gente está querendo o resultado mais fácil e com certeza esse resultado não será, não acontecerá, mas eu acho que Ciro vai ser essa grande transformação e vai permitir que o Brasil seja uma nação

Cirão Carioca: Deputada, muito obrigado pela entrevista, foi uma honra ter a senhora com a gente.

 


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