DEBATE NA BAND: CIRO E DACIOLO SE DESTACAM

Presidential candidates are seen during their first televised debate at the Bandeirantes TV studio in Sao Paulo, Brazil August 9, 2018. (L-R) Presidential candidates Alvaro Dias of Podemos, Daciolo of Patriots, Geraldo Alckmin of Brazilian Social Democratic Party (PSDB), Marina Silva of the Brazilian Sustainability Network Party (REDE), Bandeirantes TV journalist Ricardo Boechat, Jair Bolsonaro of the Party for Socialism and Liberation (PSL), Guilherme Boulos of the Socialism and Freedom Party (PSOL), Henrique Meirelles of the Brazilian Democratic Movement (MDB) and Ciro Gomes of the Democratic Labour party (PDT). REUTERS/Paulo Whitaker
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O primeiro debate entre os candidatos a presidente da República nas eleições 2018 ocorreu nesta quinta-feira, 9. O encontro, promovido pela Band, reuniu oito presidenciáveis: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriotas), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede).

A expectativa de que Bolsonaro seria um dos principais alvos não se confirmou. O tucano Alckmin, dono da maior coligação na corrida ao Planalto, foi quem mais sofreu ataques.

Confira abaixo os principais personagens e momentos do primeiro debate presidencial das eleições 2018:

Ciro Gomes: Isolamento, SPC, Bolsonaro e Daciolo

No início do debate, os candidatos evitaram fazer perguntas a Ciro. Conhecido por sua oratória, os candidatos procuraram evitar dar palanque a Ciro, preferindo atacar candidatos com mais brechas como Geraldo Alckmin. Entretendo, a estratégia pouco durou e quando teve a oportunidade de falar, Ciro foi contundente e claro, trazendo diversos dados que embasavam seus argumentos. Dois pontos foram centrais no seu discurso: a geração de 2 milhões de empregos no ano inicial do seu Governo e a ajuda as 63 milhões de brasileiros a tirar seus nomes do SPC.

Quanto aos empregos, Ciro pretende contar com a Construção Civil para tal empregação imediata, reativando obras paradas, e iniciando revitalizações de equipamentos de infraestrutura.


Já em relação ao SPC, Ciro disse que vai detalhar a proposta, porém, deu pistas que a solução passará pelo aumento do número de bancos com aumento da competitividade, reduzindo os juros, com papel central dos bancos públicos.

Momento cômico do debate foi quando Ciro foi interpelado pelo Cabo Daciolo, que dissera que Ciro foi criador do Fórum de São Paulo, fórum criado por Fidel Castro e Lula, que reúne diversas lideranças da esquerda latino-americana, e perguntou pra Ciro sobre o Plano Ursal. Na internet, páginas de direita denunciam o suposto “Dossiê Ursal”, que seria um sonho dos “comunistas”. Tal dossiê aponta 100 denúncias que comprovariam a cumplicidade do PSDB para encobrir o “golpe comunista que o PT planeja aplicar no Brasil”. Ou seja, a Ursal é uma teoria da conspiração de grupos de direita que temem a “ameaça” do comunismo no Brasil. Mas o grande detalhe é que: Ciro não fundou o plano de São Paulo e nem sabia o que era o tal do Plano Ursal. Ciro reagiu à verborragia de Daciolo: “a democracia é uma delícia, mas tem certos custos”. Quem assistia ao embate nos estúdios da Band não segurou o riso.

Quase no fim Ciro criticava a burocracia e demora no sistema de patente brasileiro, mas criticou a lei que tentava autorizar a liberação sem testas da droga que supostamente combateria o câncer. Lei de autoria de… Bolsonaro. Bolsonaro se irritou, pois disse que Ciro dava a entender que o medicamento era uma droga. Porem droga e medicamento são sinônimos, havendo uma confusão de termos pelo deputado.


Bolsonaro X Boulos

O deputado Jair Bolsonaro, famoso por ser enérgico em suas discussões, preferiu evitar um confronto contra Guilherme Boulos no início do debate presidencial da Band. Classificado como racista, machista e homofóbico pelo candidato do PSOL, que ainda o acusou de manter uma funcionária fantasma em seu gabinete no Congresso, o capitão reformado do Exército abriu mão de seu tempo na tréplica e não prolongou a discussão. “Não vim aqui para bater boca com cidadão desqualificado”, disse Bolsonaro.

Cabo Daciolo

O deputado federal Cabo Daciolo foi um dos principais destaques no primeiro debate presidencial. Logo em sua primeira fala, o parlamentar disparou contra os demais participantes, afirmando que eles representavam a “velha política”.

Com um discurso eloquente, que misturou uma narrativa nacionalista, religiosa e de denúncias contra supostas conspirações comunistas, o candidato defendeu a auditoria da dívida pública, a redução dos impostos, a greve dos caminhoneiros, os militares e o combate à corrupção “pela honra e glória do senhor Jesus”.

“Eu sou o Cabo Daciolo, servo do deus vivo, sou cristão, bombeiro militar e dizer ao meu companheiro Bolsonaro: você não é o único não, irmão. Eu estou aqui. Nação brasileira, nós estamos aqui e vamos transformar a nação brasileira para honra e glória do senhor Jesus”, disse o candidato no terceiro bloco.

Eleito deputado pelo PSOL, Daciolo foi expulso do partido em 2015 depois de propôr projetos com viés religioso. O parlamentar ficou conhecido em 2011, quando participou da greve dos bombeiros do Rio de Janeiro e chegou a ser preso por conta da mobilização. Sua candidatura à Presidência pela Patriota foi oficializada na pequena cidade de Barrinha (SP), localizada na região metropolitana de Ribeirão Preto.

Ao final do debate, de acordo com números do Google Trends, Daciolo foi o segundo candidato que mais gerou interesse de busca dos internautas entre todos os participantes do debate, atrás apenas de Jair Bolsonaro.

Centrão

A coligação que garantiu o maior tempo de TV durante o horário eleitoral para Geraldo Alckmin foi o ponto mais explorado por seus adversários durante o debate presidencial da Band.

As críticas partiram principalmente de Marina Silva. Em um diálogo sobre educação, a candidata da Rede afirmou que é preciso tomar cuidado quando o “condomínio já está cheio de lobo mau querendo comer o dinheiro da vovozinha”. Em outra oportunidade, ela afirmou que “quando se ganha [a eleição] com quem não tem compromisso com a ética, isso contamina o governo e todas as promessas caem no vazio”.

Via de regra, Alckmin justificou a importância de sua coligação pela garantia de governabilidade em caso de vitória nas eleições. Em uma das provocações de Marina, o ex-governador lembrou que a candidata já foi do PV, criou a Rede e, atualmente, fez promoveu uma coligação entre o novo e o velho partido. Em outro momento, Alckmin subiu o tom contra de Marina e recordou do seu passado no PT. “Quero lembrar que eu nunca fui do PT e nem ministro do PT. Deixar bem claro que somos de uma outra linhagem”, disparou o tucano.

50 tons de Temer

Guilherme Boulos provocou risos de praticamente toda a plateia que acompanhava pessoalmente o debate presidencial na Band quando, ao formular uma pergunta para o candidato Henrique Meirelles, afirmou que o debate tinha “50 tons de Temer”.

“Você não é apenas o candidato do Temer. Aqui nesse debate tem 50 tons de Temer. Aliás, quem diz que quer coisa nova, tem que pensar no que fez no verão passado”, disse Boulos.

A frase provocou sorrisos inclusive de Meirelles.

Lula de fora

A Justiça não autorizou a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, oficializado candidato a presidente pelo PT mesmo condenado e preso pela Lava Jato, no debate presidencial da Band. E o ex-presidente ficou de fora até mesmo dos diálogos entre os candidatos.

Com exceção de uma citação feita por Guilherme Boulos no início do encontro, Lula não foi um tema discutido pelos presidenciáveis presentes no estúdio.

Com informações Terra e HuffpostBrasil


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