PODE DACIOLO AMEAÇAR BOLSONARO?

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O candidato à presidência Cabo Daciolo (PATRIOTAS) chamou atenção do país ao participar do debate na BAND na última quinta feira (dia 9/08). Com religiosidade aflorada, discurso ousado e postura militar, Daciolo roubou a cena no debate, virando Trending Topics no Twitter. Com posições polemicas e nem sempre muito acertadas, Daciolo virou assunto no país. Esse perfil talvez passasse desapercebido se não fosse o fato de ser muito parecido ao estilo do Capitão Jair Bolsonaro (PSL).

Embora Bolsonaro não seja evangélico e não ande com uma bíblia, o militarismo e as frases polemicas sempre foram sua marca. A verdade que Bolsonaro ficou apagado enquanto via “cópia brilhar” no debate. A participação de Daciolo foi tão marcante que involuntariamente ajudou um adversário: Ciro Gomes (PDT). Ao tentar “desmascarar” Ciro, acusou seu concorrente de ser fundador de Foro de São Paulo e que explicasse sobre o Plano URSAL. Entretanto, Ciro não fundou o tal Foro e tão pouco sabia do que se tratava o plano. Ambos os “institutos” tem circulado a  internet em um boato acerca de um plano comunista de dominação mundial, tirando o sono de “vigilantes” direitistas que se “dedicam a evitar a tomada do mundo pelos soviéticos e comunistas”, num thriller parecido saído de um filme de espiões dos anos 80. A cena virou meme instantâneo, principalmente pela reação bem humorada e de classe de Ciro, e de quebra ajudou a chamar atenção do público pras falas do candidato pedetista.

Daciolo, cabo do corpo de bombeiros do Rio de Janeiro, se notabilizou na greve da corporação em 2011, no mandato ainda do ex-governador Sergio Cabral. A greve foi findada com a invasão do BOPE ao quartel-general dos Bombeiros. No local havia filhos dos grevistas e o caso gerou comoção no estado e no país.

A bravura do cabo chamou a atenção do PSOL, que ofereceu a legenda para a candidatura de Daciolo à Câmara em 2014. Ele foi eleito com 48.831 votos graças à defesa da PEC 300, uma proposta de emenda à Constituição que pretendia vincular os salários dos bombeiros e policiais militares do país ao rendimento da Polícia Militar do Distrito Federal, o mais alto do país. Mas a relação entre o deputado e o PSOL foi breve. Já em sua diplomação, ele tietou Jair e Flávio Bolsonaro, com quem tirou uma foto, causando desconforto no partido. Os constantes louvores a Deus na tribuna da Câmara incomodaram os psolistas, que decidiram pela expulsão já em 2015 após o deputado apresentar uma PEC com o objetivo de alterar na Constituição a expressão “todo o poder emana do povo” para “todo o poder emana de Deus” — o estatuto do PSOL não permite protocolar projetos de cunho religioso.

Daciolo ainda se envolveu em outra polêmica com o partido antes da expulsão ao defender os policiais que estariam envolvidos na morte do pedreiro Amarildo de Souza em 2013. Mais recentemente, Daciolo anunciou da tribuna da Câmara a cura da deputada Mara Gabrilli (PSDB), tetraplégica desde 1994. “O que eu vou falar aqui vai parecer loucura para muitos. Mas eu prefiro a loucura de Deus do que a sabedoria dos homens”, anunciou, destacando que não estava ali para “pregar religião”. Na ocasião, ele contou que a deputada o parou num dos corredores do Congresso Nacional e ele finalmente teve coragem de dizer algo que Deus havia lhe pedido dois anos atrás. Após ler um trecho da Bíblia, como fez no debate da Band, Daciolo profere: “Eu quero aqui, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Eu quero que aquela mulher vai levantar da cadeira e vai começar andar”. “Eu saio daqui e vou me direcionar a ela. Vou a um lugar em particular. Creio que em alguns minutos ela voltará a andar”, finalizou.

As falas do deputado se aproximam em muitos pontos do discurso de Bolsonaro: critica a velha política, a corrupção, evoca Deus e os valores da família. Assim como o capitão reformado do Exército, diz que estrangeiros, como os chineses, estão comprando o Brasil. Outra proposta parecida à de Bolsonaro é a defesa do voto impresso. Daciolo aproveitou sua vez para fazer perguntas e indagou o candidato tucano Geraldo Alckmin qual a opinião dele sobre fraudes nas urnas eletrônicas, que ele disse ser fato comprovado sem apresentar evidências.

Daciolo anda sempre com uma Bíblia nas mãos, livro que carrega até quando se senta para fazer uma refeição no cafezinho da Câmara dos Deputados. Se eleito, ele promete levar o Brasil a clamar ao senhor.

Um de seus ídolos é o ex-candidato à Presidência Enéas Carneiro, que se tornou célebre após cunhar um bordão com o qual se apresentava. “Meu nome é Eneas, 56”, dizia. Éneas também sempre é lembrado por Bolsonaro, embora tenha propostas diferentes do falecido deputado.

Se Daciolo terá o mesmo sucesso eleitoral de seu espelho, apenas as pesquisas dirão, mas que há uma expectativa de como vai se comportar o voto de protesto e o voto fundamentalista evangélico que está votando com Bolsonaro, há.

Com informações El País e Folha de SP


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