Ciro Gomes cresce nas Redes Sociais e Bolsonaro Despenca, aponta FGV DAPP

Ciro Gomes - Fonte: Fátima Meira
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Com Informações Monitor Digital

Após o ataque a faca na semana passada, o grupo de apoio a Jair Bolsonaro nas redes sociais perdeu mais contas do que recebeu adesões. O saldo é de 14,2 mil perfis a menos do que na semana antes do ataque. Por outro lado, parte de grupo composto de perfis à esquerda se converteu em grupo de apoio a Ciro Gomes, que também herdou perfis de grupo contrário ao capitão candidato do PSL.

Para identificar esse movimento, a FGV DAPP fez a análise dos quatro principais grupos de debate sobre os presidenciáveis no Twitter em dois períodos diferentes: a semana imediatamente anterior ao ataque (28 de agosto a 4 de setembro) e as 48 horas entre as 9h de sábado (8) e as 9h de segunda (10).

No total, 410 mil perfis deixaram o debate político de um período ao outro (de 821,6 mil contas presentes nos quatro maiores núcleos antes do ataque); e houve a entrada de 188 mil contas após o ataque, que se juntaram às discussões dos principais polos de alinhamento na rede.

As contas mais à esquerda no espectro político se dividiram em dois grupos depois do ataque, um alinhado a Ciro Gomes e outro ao PT e a Lula e Fernando Haddad. Neste, 51,2 mil perfis que antes estavam no núcleo petista (de 90,4 mil, o equivalente a 57% do total) não integraram a discussão entre sábado e segunda, pós-esfaqueamento. O grupo que emergiu nesse segundo período de análise, pró-Ciro, herdou 7 mil perfis do polo petista. O grupo do pedetista também recebeu 14,2 mil novos perfis que, antes do ataque, não integravam a discussão eleitoral, menos que os 16,5 mil incorporados pelo grupo alinhado ao PT.

Campo da direita

Do outro lado, à direita, verificou-se igualmente mudança na organização do debate, após o ferimento de Bolsonaro. Antes do incidente, um grupo reunia João Amoêdo, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Alvaro Dias e Henrique Meirelles. Bolsonaro isolava-se em outro grupo, do qual houve a saída de 45,8 mil perfis depois do ataque – mais da metade dos 88,3 mil perfis que integravam o debate político na base alinhada ao deputado federal.

Com menos força e fragmentado, o grupo de Marina, Alvaro, Alckmin, Amoêdo e Meirelles perdeu espaço na discussão política entre sábado e esta segunda-feira. Sem Marina, passou a responder por apenas 3,1% dos perfis.

Robôs

Os robôs voltaram à carga, e de forma acentuada, no debate político sobre os candidatos à Presidência. Desde o ataque a Jair Bolsonaro, as interações provenientes de perfis automatizados, que haviam diminuído desde o último mês, dobraram em relação ao período analisado no último DAPP Report.

De quarta (5) até terça (11), respondem por 10,8% de todas as interações sobre os presidenciáveis – volume bastante representativo, dado que o debate soma 9,9 milhões de tuítes e 7,3 milhões de retuítes, dos quais 788 mil foram provenientes de robôs.

Todos os principais grupos de discussão no Twitter viram aumento na atividade automatizada: o de Bolsonaro (com 18,4% de interações de robôs, o maior percentual); o de Ciro Gomes (12,1%); o de Fernando Haddad (11,6%); e o que reúne bases de apoio a João Amoêdo e Geraldo Alckmin (6,1%). Entre os perfis não alinhados, e que se organizam na rede a partir da oposição a Bolsonaro (e representam mais de 60% do debate), o percentual de robôs foi baixo, 0,9%, contra 0,2% na semana anterior.

Entre os 100 links mais compartilhados pelos robôs identificados no período, ao menos seis contribuem para a difusão de conteúdos de desinformação sobre o debate político. No total, estas URLs apareceram em 1.365 publicações (tuítes e retuítes) de contas automatizadas no período de análise.

Quatro deles tratam do ataque a Jair Bolsonaro, fazendo ilações sobre o autor da facada, Adelio Bispo de Oliveira, como tendo o apoio financeiro de “poderosos” para a elaboração de um plano de ataque; e uma suposta ligação de atores da esquerda com o episódio, a partir de afirmações sobre os advogados de defesa do autor.

Os outros dois links tratam de uma suposta campanha da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra Bolsonaro (279 publicações), e uma comparação entre o número de mulheres empregadas nos gabinetes do deputado do PSL e de políticos da esquerda (105).


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