TRAGÉDIA: FALTA DE VERBAS CAUSA INCÊNDIO QUE DESTRÓI MUSEU NACIONAL

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Em fevereiro, no início das comemorações do bicentenário do Museu Nacional, o diretor da instituição, Alexander Kellner, não poupou palavras: “Só temos verbas para medidas paliativas de prevenção”. Era mais uma manifestação pública dos problemas de manutenção no palácio, há anos alvo de protestos de funcionários e visitantes.


Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.

O fogo começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e foi controlado no fim da madrugada desta segunda-feira (3). Mas pequenos focos de fogo seguiam queimando partes das instalações da instituição que completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.

A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.


O incêndio de ontem, aliás, não foi o único na UFRJ. Em outubro de 2016, o prédio da reitoria, na Ilha do Fundão, pegou fogo, desalojando alunos como os da Escola de Belas Artes e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Cinco anos antes, a capela do campus da Praia Vermelha, de 1850, tinha sido destruída. Funcionários da universidade convocaram um protesto para hoje, na Cinelândia.

O Museu nos últimos anos vinha sofrendo corte de verbas, segundo a UFRJ, por conta da política de cortes realizada pelo Governo Federal. Política esta agravada pela aprovação da PEC dos Gastos, a qual congelou o orçamento da cultura, educação, saúde, segurança por 20 anos, sem mexer no pagamento de juros e serviços da dívida pública. . Recentemente, o orçamento ficou ainda mais apertado. A instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da UFRJ, em três parcelas. No entanto, nos últimos três anos, a fração final não tinha sido repassada. Segundo a direção do museu, eram destinados apenas R$ 300 mil, com cortes de verba na própria universidade.



Falta d’água atrapalhou bombeiros

Pesquisadores e funcionários do Museu Nacional se reuniram com o Corpo de Bombeiros para tentar auxiliar no combate das chamas. O objetivo era orientar o trabalho dos bombeiros numa tentativa de impedir que o fogo chegasse a uma parte do museu que contém produtos químicos. Alguns deles são inflamáveis e usados na conservação de animais raros.

Bombeiros precisaram pedir caminhões-pipa para auxiliar no combate ao incêndio. Segundo o comandante-geral, coronel Roberto Robadey Costa Junior, a falta de carga em hidrantes atrasou o trabalho em cerca de 40 minutos. Foi necessário retirar água do lago que fica na Quinta da Boa Vista para ajudar no controle das chamas.

Com informações O Globo, G1 e Folha de SP



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