Haddad: Ciro “errou o ano inteiro”

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Ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad disse a correligionários que Ciro Gomes “errou o ano inteiro”. A crítica foi feita em uma reunião fechada do partido, com deputados e senadores da sigla. Haddad disse que o pedetista “poderia ter se aproximado do Lula”, mas “achou que o PT não teria alternativa a não ser uma aliança com ele”.

Ignorando a mudança de perfil do eleitorado, o petista também falou que “uma das razões para ele [Ciro] não sair dos 12% [de votos], que ele mantém desde 1998, é essa: a falta de uma identidade clara”. Haddad ironizou a viagem de Ciro a Paris no segundo turno das eleições. “Eu que liguei para ele no primeiro turno para ele me cumprimentar. Na terça-feira ele viajou à Europa. Creio que não foi na segunda que ele comprou a passagem”.

O PT é acusado pelos pedetistas de terem boicotado a aliança com o PSB no 1º turno. O PT fez um acordão com algumas lideranças do PSB, sacrificando candidaturas próprias em prol do partido socialista, como o caso de Marília Arraes em Pernambuco, no intuito de isolar Ciro e PDT no pleito. Ciro Gomes, por conta disso, teve menos acesso a recursos do fundo partidário e tempo menor de TV. Além de não contar com estrutura de campanha mais robusta e capilarizada em vários estados. Ainda recaem sobre o Partido dos Trabalhadores suspeitas do terem pagado propinas a diversos aliados de Ciro no nordeste e no país, para retirarem seu apoio ao pedetista. Tal ato teria sido ordem direta de Lula a partir de sua prisão em Curitiba/PR, feito semanas antes da arrancada de Haddad ao 2º lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Mesmo sabendo da possível derrota de Haddad para Jair Bolsonaro (PSL) no 2º turno, o PT insistiu na estratégia de destruir Ciro, segundo muitos porque seria mais vantajoso perder para Bolsonaro do que ter Ciro presidente, ameaçando a hegemonia petista. Aliados próximos de Ciro questionam essa reclamação de falta de aproximação com o expresidente Lula, que encontra-se preso, condenado por corrupção. Para eles, O PT queria apenas submissão, e que Ciro se portasse como fantoche de Lula, papel este, segundo eles, desempenhado por Haddad.

Com o fracasso da estratégia de Lula e a vitória de Bolsonaro, vários aliados petistas se rebelaram. Inclusive o PC do B, que teria sido chantageado pelo PT a fazer aliança com Haddad, sob ameaças de não terem ajuda para cumprir a clausula de barreira (o que mesmo assim não foi alcançado pelo partido comunista). Vários partidos no campo progressista consideram Ciro o mais lúcido no momento para oposicionar ao governo Bolsonaro, e há um desejo de acabar com a hegemonia petista que vem dominando o campo progressista a décadas. Para muitos a onda antipetista é irreversível e a população busca novos horizontes no campo desenvolvimentista. A articulação de um bloco de oposição sem o PT, tem irritado profundamente dirigentes petistas, que miram em Ciro para tentar minar esse novo jeito de fazer oposição dentro do campo progressista.

Com informações Época


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