“Esquerda Lacração” pode ajudar Bolsonaro (de novo)

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Grande comoção nas redes provocou o PDT, na reunião da sua Executiva Nacional, indicar que existe a possibilidade do apoio a Rodrigo Maia (DE), para ser reconduzido presidência da Câmara. Seu grande arco de aliança e apoio maciço no Centrão garantem a Maia grande favoritismo no pleito. Tanto que desafetos de Maia como Onix Lorenzoni e Flavio Bolsonaro desistiram de tentar em placar um nome do PSL na Câmara. O que Maia oferece a oposição são espaços nas comissões e relatorias. Algo muito visado pela oposição, pois isso possibilitaria maior poder de fogo para tentar frear a agenda proposta do Paulo Guedes e Bolsonaro.

Segundo o PDT, não foi deliberado apoio ao Rodrigo Maia na reunião da Executiva Nacional. O que houve foi um indicativo para ser levado a discussão com os dois outros partidos que fazem parte do bloco de oposição, que é o PSB e o PCdoB. O PDT não iria tomar nenhuma decisão isolada. A decisão seria tomada junto com os demais partidos PSB e PCdoB

É consenso entre políticos e cientistas políticos que as comissões são o verdadeiro campo de batalha na Câmara dos Deputados. Geralmente os projetos que vão a votação, já vão com placar definido. Sessões com plenário cheio e debates na Casa são a exceção da atividade legislativa. Das comissões, muito influenciados pelas relatorias, já saem, via de regra, o que será votado. Não participar das comissões, esperando reversão nas votações plenárias, pode se apresentar como um erro juvenil.

A possibilidade de uma oposição ausente das comissões favorece as pretensões de Paulo Guedes e Bolsonaro. Com uma proposta radical de diminuição de Estado e reformas liberais, não ter a oposição obstruindo pautas ou alterando as leis propostas, parece um sonho na seara bolsonarista. E Bolsonaro tem nesse intuito um aliado inesperado. Setores da esquerda, acusados de excesso de simbolismos e identitarismos, sem atuação prática e distante de reivindicações do dia a dia da população, tem se mostrado reativo a eventual apoio a Maia e ocupação de comissões. Um candidato próprio da oposição ou eventual apoio ao novato Marcelo Freixo (PSOL), candidatos com baixíssima chance de vitória, preservariam a autoridade moral da esquerda, mesmo que isso custasse a implementação total da agenda bolsonarista. Para muitos, esses setores preferem “lacrar” nas redes sociais ao invés de de fazer uma oposição de verdade, preservando direitos e interesses da população.

Diferentemente dos governos PT, na qual a esquerda estava no poder e o PT preferiu fazer alianças com setores liberais para facilitar votações. Na situação atual, progressistas encontram-se na oposição sem apoio majoritário popular, e sem força para colocar suas pautas. E para alguns, com risco de cerceamento democrático.

Além disto, tendo em vista a virtual vitória de Maia, para muitos, uma participação no arco de alianças, obrigaria Bolsonaro ao jogo democrático garantindo espaço de atuação na oposição. Um governo repleto de militares, e os rompantes autoritários do atual presidente, colocariam em dúvida se o atual Governo respeitaria o Parlamento. E parece que Maia conseguiria garantir esse respeito a atuação oposicionista. Maia é conhecido por respeitar acordos, e no Governo Temer demonstrou uma atuação independente. É disso que se espera também em relação a Bolsonaro.

Para Ricardo Capelli, “a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado não parece ser entre a esquerda e a direita. O posicionamento da Aliança do Coliseu – bloco liderado pela Globo com setores antinacionais e antipovo da burocracia estatal – indica uma disputa entre a politica, entre a preservação do ambiente democrático, e a marcha fascista liderada por estes setores.”E conclui dizendo que “a correlação de forças é brutalmente desfavorável. O PDT tomou a posição corajosa de apoiar Maia na Câmara [ O PDT apenas indicou a possibilidade de apoio, segundo nota do partido]. Esta decisão faz do bloco do atual presidente – que conta até agora com 13 partidos e 290 deputados – uma frente plural pela preservação do ambiente democrático no parlamento”.

Assevera também Gustavo Castañon em suas redes sociais que ” seria melhor que Maia não tivesse se aliado ao PSL, mas quem quer dançar ciranda com o Freixo sinta-se à vontade”. E que “qualquer futuro presidente da câmara passará as reformas, o que está em jogo não é isso não crianças, e sim se ele deixará fechar o congresso e o estado policial avançar por cima do que sobrou de democracia”.

Apesar de o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, ter conquistado a segunda bancada da Câmara dos Deputados, o Executivo vai precisar lidar com a oposição, ainda que fragilizada pela derrota nas urnas. Em um governo de extrema direita, o papel da esquerda iria além de obstruir pautas em votação no Plenário. O grupo se articula para conseguir presidir comissões, montar uma frente ampla e fazer alianças para derrubar matérias consideradas “inapropriadas”, que ferem os direitos civis dos cidadãos.

Para conquistar espaço, a oposição deverá apoiar, sobretudo, um candidato à Presidência da Câmara que mantenha um canal aberto de diálogo. Os nomes mais fortes são Rodrigo Maia (DEM-RJ), que busca a reeleição, e Arthur Lira (PP-AL), opção do centrão, que se articula para conquistar os votos necessários para o pleito, marcado para o início de fevereiro. “A formação do bloco é importante para a oposição, porque vai ser decisiva para saber quais comissões serão presididas nos próximos quatro anos”, diz uma liderança da esquerda.

Na semana passada, o novato Marcelo Freixo (Psol-RJ) anunciou que disputará o pleito. Até o momento, é o único nome da esquerda. Entretanto, congressistas afirmam que ele não teria chance de vencer; tampouco formaria um bloco amplo, com representatividade, para ganhar espaços de destaque em comissões relevantes. “Se lança uma candidatura avulsa, forma um bloco pequeno, e a oposição vai pegar comissões pouco importantes. Aí o que vamos fazer pelos próximos quatro anos? São aproximadamente 120 parlamentares de esquerda. Precisamos conseguir comissões como a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), na qual passam todos os projetos do governo, para garantir uma oposição mais dura”, explica outro deputado.

Por isso, a candidatura de Freixo parece não fazer barulho nem entre os próprios integrantes da oposição. Eles acreditam que não terá viabilidade, embora reconheçam a importância de um nome de esquerda estar na disputa pelo cargo mais alto da Câmara. “Antes de se lançar como candidato, não conversou com ninguém da esquerda. Só procurou depois para tentar negociar apoio. Nossas escolhas são: ficar no bloco do Maia, que dialoga com a oposição, e conquistar lugares importantes no Congresso; ou o bloco de partidos de centro e centro-direita, que o Arthur Lira tenta montar”, assinala. 

Aos poucos, a presidência da Câmara vai ganhando vários candidatos. Além de Rodrigo Maia (DEM) e Ricardo Barros (PP), já declararam que pretendem concorrer à vaga Kim Kataguiri (DEM), Marcelo Freixo (PSOL), Fábio Ramalho (MDB), João Campos (PRB), Capitão Augusto (PR) e João Henrique Caldas (PSB). A tendência, porém, é que novas alianças sejam feitas e o número de concorrentes ao posto diminua até o dia 1º de fevereiro.

Se revela um desafio à oposição, preocupada em conseguir atuar de forma eficiente no Parlamento, convencer suas bases, influenciados por setores lacradores”, que uma eventual derrota na eleição para presidência da Câmara representaria na prática um suicídio politico e um grande apoio a Bolsonaro e Guedes que ficariam livres para aprovar sua agenda neoliberal.

Com informações IG e Correio Braziliense


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