FHC: Família Bolsonaro é mais perigosa que militares

Fernando Henrique Cardoso
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Com informações RFI

Em entrevista ao Le Figaro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que a eleição de um presidente de extrema direita no Brasil não representa uma crise da democracia brasileira, mas a explosão do sistema político tradicional, com instituições que não conseguem mais responder às demandas da população expressas nos debates pela internet e pelas redes sociais. FHC descreve Bolsonaro como um homem simples, que sabe falar às pessoas comuns, eleito por dispor de qualidades e “longe de ser bobo”.

Questionado se o ex-capitão pode fazer um bom governo, FHC afirma que “diante da falência do sistema tradicional de partidos, da mídia e da justiça”, Bolsonaro sentiu que havia uma brecha. Mas ele vai, segundo o ex-presidente, encontrar forte resistência de corporações que vão tentar lhe impor um fracasso. “Eu não sei como Bolsonaro vai conseguir, ao mesmo tempo, o apoio do Congresso, respeitar as leis e manter sua popularidade”, declara FHC.

Le Figaro pediu a opinião do ex-presidente sobre a forte presença de militares no novo governo, se eles representavam uma ameaça de retorno à ditadura. “Os militares brasileiros se profissionalizaram e são os que mais têm noção da realidade brasileira. Eles apreciam a ordem, mas também são da classe média. Tenho mais medo é da família de Bolsonaro, sua mulher e seus filhos, assim como os reacionários ideológicos que estão no entorno dele”, respondeu FHC. O ex-presidente também manifestou suas reservas em relação ao alinhamento com Donald Trump e as ideias de Bolsonaro na área da cultura.

Descrevendo a situação nas favelas brasileiras como “preocupante”, com o crime organizado “no comando de tudo”, FHC diz que o nível das relações entre o crime e o poder local tornou-se perigoso no Brasil. Para FHC, Bolsonaro “compreendeu a necessidade de restabelecer a ordem no país, dando aos pobres o direito de viver com mais segurança”.


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