Nicolás Maduro anuncia fechamento da fronteira com o Brasil

Nicolás Maduro
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Com informações DW

Após governo brasileiro prometer envio de ajuda humanitária à Venezuela, presidente manda fechar passagem entre os dois países. Em discurso, líder chavista diz que considera bloquear também a fronteira com a Colômbia.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira (21/02) o fechamento da fronteira do país com o Brasil. A decisão foi tomada durante uma reunião com comandantes das Forças Armadas, leais ao regime.

“A partir de hoje, a fronteira com o Brasil está fechada até novo aviso”, afirmou Maduro em pronunciamento na televisão, citado por agências de notícias.

O presidente havia anunciado que a medida entraria em vigor a partir das 21h (horário de Brasília). Contudo, segundo o governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), a fronteira terrestre foi fechada cerca de seis horas antes, às 15h. “Já fechou”, disse ele, em Brasília, ao jornal Folha de S. Paulo.

O fechamento ocorre dois dias após o governo brasileiro ter atendido a um apelo do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, e anunciado o envio de ajuda humanitária ao país vizinho.

Remédios e mantimentos estão sendo armazenados em Roraima, na fronteira entre os dois países, enquanto aguardam envio à Venezuela. Maduro se nega a recebê-los, alegando que as doações são parte de um “show” com objetivo de invadir o país militarmente e tirá-lo do poder.

Pelo mesmo motivo, o venezuelano disse estar considerando fechar também a fronteira com a Colômbia, diante do que chamou de “provocação e agressões” do governo de Iván Duque, que apoiou e deu suporte à iniciativa dos Estados Unidos de enviar ajuda humanitária à Venezuela.

“Em 2015, tomei a decisão de fechar a fronteira com a Colômbia de maneira temporária. Não quero ter que tomar uma decisão dessas características, mas estou avaliando um fechamento total da fronteira. Um homem prevenido vale por dois”, disse Maduro.

“Quero que seja uma fronteira dinâmica e aberta, mas sem provocações, sem agressões, porque sou obrigado, como chefe de Estado, chefe de governo e comandante das Forças Armadas, a garantir a tranquilidade e a paz”, completou.

Enviadas pelos Estados Unidos, toneladas de ajuda humanitária destinadas a venezuelanos estão paradas na cidade colombiana de Cúcuta. A entrada desses itens na Venezuela também foi bloqueada por Caracas.

Guaidó, no entanto, prometeu que esses mantimentos chegarão ao país no próximo sábado, apesar dos bloqueios montados pelo regime chavista. O líder oposicionista viaja nesta quinta-feira a Cúcuta para resolver a questão.

Sem apresentar provas, Maduro afirmou que os alimentos armazenados na fronteira com o Brasil e com a Colômbia são “cancerígenos”.

O líder chavista disse ainda ter informações confiáveis de que soldados na Colômbia decidiram não realizar qualquer ataque contra a Venezuela. “Os militares colombianos se negaram a ajudar uma agressão contra sua irmã Venezuela. Militares da Colômbia: honra máxima”, afirmou.

O Brasil foi a segunda fronteira fechada pela Venezuela. Na quarta-feira, Caracas informou que fechou a fronteira marítima com as ilhas das Antilhas Holandesas devido ao plano da oposição de levar ajuda humanitária ao território venezuelano no sábado.

Maduro nega a existência de uma crise humanitária na Venezuela e alega que o envio de ajuda seria um pretexto para os Estados Unidos promoveram um golpe de Estado no país. Ele também culpa os EUA, devido à imposição de sanções econômicas, pela hiperinflação e pela severa escassez de alimentos e remédios, que forçaram o exílio de 2,3 milhões de pessoas desde 2015.

A Venezuela vive grande instabilidade política desde 10 de janeiro passado, quando Maduro tomou posse após eleições que não foram reconhecidas como legítimas pela maioria da comunidade internacional.

A crise política agravou-se em 23 de janeiro, quando Guaidó, líder da Assembleia Nacional, se autoproclamou presidente interino e declarou assumir os poderes executivos de Maduro.

Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres. Cerca de 50 países já reconheceram o líder oposicionista, inclusive o Brasil.


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