Política desafia Filhocracia de Bolsonaro. Polêmicas agravam situação de Bolsonaro e filhos.

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Não há como negar a personalidade forte da família Bolsonaro. Tão pouco sua ambição pelo poder. Após a vitória no pleito eleitoral, parecia ser natural que os filhos do presidente almejariam posições de destaque no Governo do pai. Flavio Bolsonaro, senador eleito pelo Rio de Janeiro, o “zero-hum” deveria ficar na articulação política. Carlos Bolsonaro, o “zero-dois”, vereador no Rio, continuaria a frente do exitoso projeto das redes sociais bolsonaristas. E Eduardo Bolsonaro, o “zero-três”, deputado federal eleito por São Paulo, discípulo ideológico do astrólogo Olavo de Carvalho, cuidaria da questão ideológica do Governo, que deveria seguir uma linha anti”comunista”, antiglobalista e liberal. Entretanto, em curto espaço de tempo, a sede de poder dos filhos se mostrou maior que o esperado. 
Antes mesmo da posse, as ligações políticas do agora senador Flavio Bolsonaro e seu gabinete, como deputado estadual do Rio de Janeiro, com milicianos, caíram como uma bomba no recém vitorioso grupo político. Escândalo que até agora não se sabe se envolve pessoalmente o próprio Jair Bolsonaro. A proximidade de Queiroz, motorista da família e pivô da crise, e a sua movimentação financeira atípica, envolveu inclusive a primeira-dama Michele Bolsonaro. O caso incomodou os diversos atores políticos que rodearam a vitória de Jair. E o 01 passou a ser visto como garoto-problema, e viu seu capital de articulador político se esvair.



Carlos Bolsonaro, o 02, ganhou força com a queda do irmão, mas tinha como opositor, Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL e, no momento, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Bebianno era tido como aliado mais fiel do Bolsonaro, acreditou no projeto e trouxe o capitão ao partido para disputar a presidência. O receio com os filhos gerado pelo caso Queiroz, fizeram os atores se movimentar pela retirada da força da filhocracia, e Carlos acabou sendo afastado das redes sociais do pai. Como contra ataque, a filhocracia apoiou a ascensão de Onix Lorenzoni (DEM) como articulador político do governo e Ministro da Casa Civil, e Bebianno foi relegado a um espaço esvaziado de Secretário-Geral da Presidência. 

Após a posse, foi a vez do 03, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo Estado de São Paulo, entrar em polemica. Guiado por Olavo de Carvalho, uma espécie de Rasputin no governo Bolsonaro, fez duras críticas a parte da bancada do próprio PSL que viajaram a China a convite do Partido Comunista Chinês. Gerando constrangimentos e um incomodo grande nos deputados criticados. Além disso, Eduardo se envolveu em uma discussão com a recém eleita deputada federal por São Paulo, a jornalista direitista Joice Hasselmann, o qual a acusou de passar por cima da liderança do partido. Ele entrou na discussão acerca de críticas à articulação política do governo após a deputada federal Joice Hasselmann dizer que as negociações estavam “abaixo da linha da miséria”. Eduardo, Joice e o senador Major Olímpio trocaram acusações e críticas por mensagens.

Eduardo, junto a Olavo de Carvalho, conseguiram emplacar como chanceler, responsável pela política externa do Brasil, o Min. Ernesto Araujo. Mostrando a força da filhocracia. Porém o chanceler não vem agradando, com posições extremadas, Ernesto foi tido como responsável pelo fracasso de Bolsonaro em Davos, com seu polemico discurso de 6 minutos (quando ele tinha disposição 45 minutos), gerando inclusive criticas em âmbito internacional. A defesa da mudança da embaixada brasileira de Israel para Jerusalém, e a tomada de decisões unilaterais quanto a situação da Venezuela, gerou a  revolta entre os militares do governo, tendo no vice presidente Mourão a figura de oposição ao chanceler e ao olavirismo. O Itamaraty acabou por sofrer uma intervenção encabeçada por Mourão que tutelou o chanceler, deixando-o com pouco poder de decisão. Tal postura gerou o ódio e críticas do guru Olavo de Carvalho e de Eduardo Bolsonaro direcionadas contra Mourão.



Carlos Bolsonaro já havia entrado em conflito de forma indireta com o vice presidente. Na virada do ano, Carlos Bolsonaro declarou que havia “pessoas que queriam a morte de [Jair] Bolsonaro”. Muitos associaram a fala ao Gen Mourão, sobre o qual repousa suspeitas de que ele pretendia em algum momento tomar a presidência de Bolsonaro. Suspeita essa afirmada expressamente por Olavo de Carvalho em suas redes sociais, com apoio de Eduardo Bolsonaro.

Porém o auge da filhocracia se deu com Carlos. Pretendendo voltar a ocupar a área das redes sociais do presidente, Carlos aproveitou suspeitas que recaiam sobre seu desafeto, Gustavo Bebianno. Na época em que era presidente do PSL, Bebianno é acusado de ter autorizado repasse de verba pública de R$400 mil a uma candidatura laranja no Pernambuco. Bebianno que tinha dito a jornalistas que teria conversado com Bolsonaro sobre o assunto, foi desmentido por Carlos nas redes sociais, sendo chamado de mentiroso, inclusive com a divulgação de um áudio de Jair de que não iria falar com o Gustavo Bebianno. Jair Bolsonaro compartilhou a fala de Carlos em suas redes sociais. Jair Bolsonaro afirmou ainda, que se Bebianno fosse considerado culpado, ele deveria “voltar as suas origens”.
 
Carlos, com o apoio de Eduardo, queriam forçar a demissão de Bebianno e conseguiu o apoio do seu pai. Bebianno reagiu. O ministro que já estava fortalecido com a aproximação a Rodrigo Maia, o qual é desafeto de Onix Lorenzoni,  procurou os diversos grupos políticos ligado ao governo, conseguindo apoio maciço de todos. O próprio Maia avisou a Bolsonaro que Bebianno era quem estava articulando de forma eficiente a base de apoio no Congresso, e que sua demissão poria em risco a votação das Reformas. Os militares irritados com o poder da filhocracia declarou apoio a Bebiano. Joice Hasselmann criticou abertamente a atitude de Carlos. E assim Bebianno ganhou sobrevida.

Em suas falas o ministro tem dado sutis recados de que ele seria portador de assuntos confidenciais sobre o governo. A firmeza de Bebianno e o apoio maciço recebido por ele, fizeram Bolsonaro recuar momentaneamente, prometendo inclusive isolar Carlos das questões governamentais.

O que parecia ser uma derrota para a Filhocracia, durou pouco. Durante a sexta-feira do dia 16/02/19, Bolsonaro resolveu ficar ao lado da posição dos filhos, decidindo pela exoneração de Bebianno, alegando que o Min. havia vazado áudios do Bolsonaro pai para a imprensa. Ainda sugeriu uma estatal para Bebianno assumir, que recusou de pronto e se negou a pedir demissão, numa conversa tida tensa por presentes. Segundo alguns, Bebianno saiu da sala deixando Bolsonaro falando sozinho. O ministro, sempre fiel ao presidente e grande articulador politico da sua campanha, fala a pessoas próximas sobre ingratidão do atual presidente.

A reviravolta pela demissão surpreendeu a todos. Rodrigo Maia tem dito a seus correligionários na Câmara ,que a força dos filhos de Bolsonaro seria um grande problema, e que ele mesmo temia uma eventual  embate com a filhocracia. Gen. Mourão declarou que Bolsonaro deveria “por ordem nos garotos”. E o mundo politico governista, que ainda se organiza, percebeu que derrubar a soberania dos filhos de Bolsonaro é uma questão de sobrevivência.  

A “filhocracia” aposta sua força no volúvel capital eleitoral obtido nas urnas, mas se essa força será suficiente para dobrar a política em Brasília só o tempo dirá.


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