“Unidade é o Cacete, eu conheço vocês.”

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Assisti ao vídeo do debate sobre segurança na Universidade Federal de Pernambuco, em que Ciro Gomes discute com Maria do Rosário e se estranha com a militância petista.As conversas com Maria do Rosário foram em clima bastante respeitoso. E o pedetista deu um show, criticando veementemente os erros do PT e de Lulla-lá, e expondo a completa falta de contra-argumento dos seus atuais adversários no campo da esquerda.Porque este é o verdadeiro sentido do embate retórico entre Ciro Gomes e Maria do Rosário naquela mesa: a delimitação de uma linha que separa PDT e PT, a reafirmação de que não há unidade possível em que o filme siga o mesmo roteiro de deslealdades, traições e hegemonismos que tem sido a história do lulismo até aqui.O desespero dos petistas era patente, tanto na mesa quanto de parte do público. Pedidos para que o ex-governador do Ceará ”parasse de falar mal do Lula”, porque ”afinal o Lula não estava ali”, e ele havia ”sofrido uma injustiça”. Uma a uma, as tentativas de desmoralizar as críticas e respondê-las com chavões foram desmontadas com tranquilidade por Ciro.O pedetista não deixou por menos e citou Marília Arraes, rifada da disputa do ano passado por causa do ”grande estrategista” do Partido que se diz dos Trabalhadores. E apesar de ser todo elogio para Freixo, mandou um recado: reivindicar descriminalização de drogas diante do eleitorado evangélico é pedir para perder a eleição.Só restava à claque lulopetista os velhos truques de demonizações, desonestidades, apupos, provocações baratas. Quando sua exposição já havia terminado, Ciro ainda se permitiu chamar pra porrada um dos exaltados de ocasião.Esse é o Ciro que o povão quer ver: corajoso, coerente, incisivo e com cabelinhos na venta na hora do vamos ver. A imagem perfeita de um sujeito capaz de tomar as dores do país, competente para conduzi-lo, e com disposição para bater na mesa e falar grosso com a Banca e outros quando necessário.O discurso e a postura foram irretocáveis. O enfrentamento com o PT é necessário. Ainda que provoque um certo tipo de desgaste e mal estar em certos círculos restritos, rende bons frutos a médio e longo prazo. O PT é um cadáver eleitoral, tem de ser malhado, suas estratégicas porcas e autocentradas tem de ser esculhambadas publicamente. Se desvincular da legenda, mostrar que não é vassalo de seus líderes e que está disposto a atirá-los pela janela é fundamental para quem, como Ciro, se declarou em disputa pela centralidade da oposição.Afinal, até as pedrinhas dos calçadões de Copacabana sabem que quando Lula fala ”unidade”, ele está pensando mesmo em ”submissão”. Quando ele pede um gesto de amizade, quer mesmo é um ”beija mão”. E quando o PT fala de ”governo de esquerda”, chama logo o Meirelles.

Prof. André Luiz dos Reis


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