O ‘Peso Real’ seria um desastre para Economia

Peso Real
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Ideia de Paulo Guedes de unificar moeda com países vizinhos é tida como inviável.


A ideia levantada nesta quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante visita à Argentina, de unificar a moeda com os países vizinhos soou fora da realidade e suscitou críticas entre economistas e parlamentares, a começar pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Será? Vai desvalorizar o real? O dólar valendo R$ 6,00? Inflação voltando? Espero que não”, declarou Maia por meio do Twitter nesta sexta-feira.

O nome sugerido para a moeda, Peso Real, foi ironizado por opositores do governo. “Peso real é ver a economia encolhendo, a escalada do desemprego, milhões de brasileiros desalentados e Bolsonaro falando bobagem sobre moeda Brasil e Argentina. Os problemas da economia não são de agora, mas o presidente não tem ideia do que fazer para começar a resolvê-los”, publicou em suas redes sociais o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Para o ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman o desejo manifestado por Bolsonaro de criar uma moeda única com a Argentina não passa de uma “ideia sem sentido”. Segundo Schwartsman, a criação de uma moeda única implica em uma série de etapas anteriores, como a integração de políticas fiscais e cambiais, além de da criação de instituições supranacionais relacionadas ao setor financeiro e fiscal e uma legislação em comum entre os países envolvidos.

“Não temos nada remotamente parecido com isso. Supostamente, o Mercosul é uma união alfandegária. A gente não tem nem livre comércio, nem tarifa externa única”, disse o economista ao jornal Folha de S. Paulo. Para ele, a proposta “envolve ceder uma soberania gigantesca”.

Ouvido pelo site UOL, o professor Roberto Ellery, do Departamento de Economia da UnB, afirma que, do ponto de vista econômico, “é uma ideia horrível”. Ele cita o desequilíbrio fiscal entre os países do continente como o maior problema. “(Na Zona do Euro) quem banca é a Alemanha. A Grécia quebra, quem banca é a Alemanha. Quem banca na América do Sul?” Segundo Ellery, não há uma economia na região forte o suficiente para isso.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, se fosse implantada hoje, a unificação seria “um desastre”. Ele afirma que, para unificar a moeda, os países participantes deveriam harmonizar todos os indicadores fiscais, como endividamento e produtividade. Caso contrário, a empreitada fracassaria.

O Banco Central divulgou, no site da instituição, uma nota em que afirma que “não tem projetos ou estudos em andamento para uma união monetária com a Argentina”.

Com informações Monitor Digital


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