OBSERVATÓRIO TRABALHISTA: Ciro diz que governo terá “ressaca” depois de aprovar a Previdência. Não haverá impacto significativo na economia

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Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, Ciro Gomes (PDT) avaliou que, ao contrário da expectativa do governo do presidente Jair Bolsonaro, a eventual reforma da Previdência não terá impacto significativo na retomada da economia brasileira.

O ex-governador analisou os seis primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (02), às 10h, na sede nacional do PDT em Brasília. Ele apresentou também uma atualização do Observatório Trabalhista, ferramenta criada para acompanhar os principais indicadores da economia e demais setores brasileiros, que será atualizado de 3 em 3 meses.

Ciro, que fez uma apresentação para avaliar os primeiros seis meses do governo, apontou que, por um lado, o nível de atividade da indústria está muito abaixo de sua capacidade. Do outro, o nível de inadimplência da população está muito alto. “No dia seguinte à reforma da Previdência, não vai acontecer nada. O nível de atividade está tão baixo e inadimplência tão alta que nada se mexerá só com reforma. Será a maior ressaca da história brasileira quando se derem conta disso”, avaliou Ciro.

Do ponto de vista político, o governo Bolsonaro também não obterá grandes ganhos, prevê. “Tal como está o parecer, teríamos em tese economia de R$ 800 bilhões. Mas não é R$ 80 bilhões por ano. É na verdade bem pouco no início e mais no final. O governo Bolsonaro não vai beber desta fonte. O efeito para 2020, por exemplo, é nulo”.

Na opinião do pedetista, haverá uma frustração das expectativas criadas em torno das mudanças nas regras das aposentadorias e pensões.

“O dia seguinte à aprovação da reforma da Previdência vai ser a maior “ressaca”, pois nada vai acontecer”, afirmou Ciro durante apresentação de um balanço dos seis meses do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Ao responder a perguntas no final da exposição, o ex-governador do Ceará detalhou um pouco mais a sua previsão. “Para começar, a média das aposentadorias vai cair 13% porque os cálculos não vão mais descontar os menores salários”, declarou.

Para Ciro, a mudança no quadro poderia ocorrer com medidas que ele questiona se serão tomadas pela atual gestão, como um aumento robusto no investimento público.

“Com a indústria com 25% de sua capacidade ociosa, o investimento tem de ser do governo. Mas os que estão aí acreditam justamente no contrário disso”, disse.

Além disso, ele defendeu tomar medidas como a tributação de lucros e dividendos, de onde se poderia levantar R$ 70 bilhões, afirmou, e imposto sobre transmissão de heranças acima de R$ 2 milhões, de onde viriam mais R$ 15 bilhões. “Só aí você já quase mata o déficit”, defendeu.

Dado como futuro candidato a presidente em 2022, Ciro diz que “Bolsonaro não é responsável pela tragédia brasileira, que começa em 2014”. Mas, tendo em vista a intenção do presidente de concorrer à reeleição, ele se verá obrigado futuramente a dar uma “guinada” no rumo do governo. “Para onde é que ainda não sabemos”, pontuou.

Com informações Valor e Metro


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