Modelo Neoliberal Chileno pega Fogo

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Aposentadorias baixas, serviços privatizados e desigualdade levam milhares às ruas

O Chile voltou a enfrentar protestos nesta segunda-feira. As manifestações fizeram o presidente Sebastián Piñera afirmar que o país está “em guerra” contra os “criminosos”. Até agora, os chilenos choram 11 mortos.

O que está acontecendo no país? Especialistas não têm uma resposta acabada, mas a reação à precarização da vida dos chilenos causada pelos anos de política econômica neoliberal é um dos cernes dos protestos.

De acordo com o relatório Panorama Social da América Latina, da Comissão Econômica da AL e Caribe (Cepal), 1% da população chilena concentra 26,5% da riqueza; 66,5% dos chilenos têm apenas 2,1% do capital.

A educação é paga, e cara – uma das mais dispendiosas do mundo. O serviço de saúde público é quase inexistente. A água é privada. Os salários são baixos, menos da elite política, que recebe 33 vezes mais que o salário mínimo. Uma família pobre gasta 20% do seu orçamento com transporte. O aumento no preço da passagem do metrô desencadeou as manifestações.

A Previdência, no modelo de capitalização, como deseja o ministro Paulo Guedes para o Brasil, talvez sintetize as causas do levante: 80% das aposentadorias são inferiores ao salário mínimo, e 44% dos aposentados vivem abaixo da linha de pobreza.

A implantação do sistema, que transferiu centenas de milhões de dólares para o setor financeiro, teve alto custo para o Chile, durante a transição do modelo de repartição – similar ao existente no Brasil – e o de capitalização. Este custo foi em parte bancado pela redução dos serviços prestados pelo Estado.

A resposta do governo chileno foi convocar o exército, precedente perigoso em um país marcado pela recente – e ainda não totalmente exorcizada – ditadura. O recurso às Forças Armadas também foi utilizado no Equador, o que levanta preocupação diante da ameaça à democracia na América Latina e outras regiões do mundo.


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