A China depende do Brasil. Este é um grande problema

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A China precisa deste petróleo assim como precisa da soja do milho e da carne brasileira

Em 2018, durante a campanha eleitoral, causou apreensão o discurso anti-China de Bolsonaro que retratava o país asiático como um predador que quer dominar áreas fundamentais da nossa economia.

Por diversas vezes Bolsonaro alertou “Os chineses não estão comprando do Brasil. Eles estão comprando o Brasil”

No início o atual governo se disse totalmente favorável ao incremento de relações com os Estados Unidos. Em discurso Paulo Guedes oferecia o país “de bandeja” aos americanos. Entregaram Alcântara e a Embraer. Bateram continência para a bandeira americana e não passou despercebido o “I love you” para Trump.

De repente, agora em novembro, fala-se em acordo de livre comercio com a China. A rede Bandeirantes assina parceria com um grupo de comunicação chinês e passa a apresentar programas sobre o governo da China. Mao Tse Tung, Confúcio etc. A Vale vai passar a receber em yuan por suas vendas e XI Jiping oferece um crédito de US$ 100 bilhões para infra estrutura no Brasil.

O que houve ? O que provocou uma mudança tão radical ?

Nenhum jornalista, nenhum especialista questiona ? Ninguém tem dúvidas ?

Será que nós fomos negociados nos ajustes comerciais que estão sendo feitos entre EUA/China ?

E os brasileiros não se preocupam com mais nada ?

A descoberta do pre sal aumentou o interesse dos chineses, que têm atuado como parceiros da Petrobrás desde o primeiro leilão (Libra em 2013). Oferecem financiamentos pedindo como garantia apenas o promessa de futuro fornecimento de petróleo. O volume de exportação de óleo cru da Petrobras para a China aumenta ano a ano.

A China precisa deste petróleo assim como precisa da soja do milho e da carne brasileira. Isto os torna de certa forma, dependentes do Brasil. Se faltar o fornecimento brasileiro eles levarão algum tempo para encontrar quem substitua, e certamente pagarão mais caro.


Existe um produto entretanto para o qual não existem fornecedores alternativos : o minério de ferro.

Se faltar o fornecimento brasileiro vão ser necessários muitos anos para que os produtores mundiais recomponham a oferta.


A Vale prevê produzir em 2019 cerca de 400 milhões de toneladas de minerios de ferro, sendo que, deste total, mais de 50% vai ser exportado para a China.

Com tal volume de minério de ferro a China produzirá (não tenho o número exato) mais de 100 milhões de toneladas de aço. Aço para atender a sua indústria, automobilística, naval, aeronáutica,construção civil etc.

Para dar uma ideia, a produção brasileira de aço está em torno de 35 milhões de toneladas ano, suficientes para atender o mercado interno, sobrando um excedente para exportação.

Qualquer desequilíbrio de fornecimento por parte da Vale pode causar sérios danos à economia chinesa. Imaginem um bloqueio das estradas de ferro Vitoria/Minas e Carajás ? Seria um caos total para a economia daquele país e de outros países (ex: Japão).

Este nível de dependência de um país como a China pode ser muito perigoso para nós.

Os brasileiros deveriam estar preocupados e examinando todos os cenários possíveis. Os prós e os contra.

Infelizmente, a maior parte dos jornalistas brasileiros não assume o papel que deveria ter, de analisar todos os temas relevantes para a nação, questionando os dirigentes e informando a população (como vemos acontecer em outros países).

Cláudio da Costa Oliveira
Economista da Petrobras aposentado

Com informações AEPET


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