Gustavo Gindre – O Bafo do Guedes

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De cada 100 pessoas que trabalham no Brasil, 41 são “informais”.

Ou seja, não possuem direito a aposentadoria, férias, 13°, descanso remunerado, limite de horas de trabalho por semana e fundo de garantia.

Desse total, quase 2/3 são os tais “empreendedores”: pessoas que trabalham por conta própria. O restante é empregado sem carteira assinada.

O número é recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Com isso, diminui o número de pessoas que contribuem para a previdência social.

E também aumenta a sazonalidade dos postos de trabalho. É o comerciário que só consegue emprego na época do Natal ou o agricultor que só trabalha na colheita.

Outra característica importante é que aumenta a proporção de pessoas empregadas no setor de serviços ligado ao comércio que, ao contrário do setor de serviços ligado à indústria, gera pouco valor agregado e tem salários menores. Estes são justamente os empregos que mais serão afetados com a nova onda de automatização que recém se inicia.

Com o crescimento da informalidade, ainda temos a estagnação do valor médio da renda do trabalhador brasileiro.

Mas o governo Bolsonaro esquece tudo isso e comemora que a taxa de pessoas realmente desempregadas caiu de 11,9% para 11,8%. É o tal do “bafo de reaquecimento da economia” mencionado pelo Paulo Guedes.

Autor do Texto: Gustavo Gindre – Jornalista, mestre em Comunicação e Cultura, e há vinte anos acompanha e participa de movimentos pela democratização da comunicação.


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