Incluir Emprego Informal no Censo brasileiro é manipulação para mostrar governo eficaz

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O Brasil se prepara para realizar o Censo 2020. Antes mesmo de começar, o ritual que acontece a cada dez anos já é marcado por polêmicas. Além dos cortes no orçamento da operação, a mudança nos critérios de avaliação de algumas categorias é contestada por especialistas, que temem o uso político dos dados coletados.

Esse ano, os mais de 70 milhões de lares brasileiros devem participar do Censo. Por razões orçamentárias, a operação deve custar R$ 2,3 bilhões, contra os R$ 3,1 bilhões que estavam previstos. Além disso, o questionário de base passará de 34 para 25 perguntas.

Mas essa não é a única mudança desta edição da pesquisa. “Bolsonaro deu várias declarações de que gostaria que o IBGE integrasse na estatística de emprego no Brasil as ocupações informais”, alerta o sociólogo e historiador Alexandre Camargo, professor da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. O especialista em censos demográficos e estatísticas públicas chama a atenção para essa mudança. Atualmente, os trabalhadores informais são contados separadamente, afim de monitorar a condição do emprego no país.

“Todo trabalho informal seria considerado como parte de um mesmo conceito de emprego, segundo gostaria o presidente. E a resistência técnica é muito grande em relação a isso”, insiste. De acordo com Camargo, isso representaria “uma manipulação da imagem”. Para o especialista, um censo que não faz distinção entre empregados formais e informais contribuiria para o mito de um “Brasil idílico”, partindo do princípio de que “não existe precarização do trabalho no Brasil e que, na realidade, o governo é eficaz”.

Com informações RFI


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