Gustavo Gindre – Protecionismo pouco, Meu Mercado Primeiro

Gostou? Compartilhe!


Toda vez que alguém fala que precisa desregulamentar a economia brasileira para permitir a entrada de capital estrangeiro e que isso é ser moderno eu só consigo pensar que não conheço um único caso de uma potência que alcançou sua posição sem ser fortemente protecionista.

Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Coréia do Sul, China… toda essa galera usou e abusou do protecionismo.

Mas vamos ficar em um caso concreto.

Os Estados Unidos possui um organismo interministerial chamado Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS). Ele reúne 16 diferentes instâncias do governo norte-americano, incluindo a Homeland Security. O CFIUS foi criado por Gerald Ford e bastante encorpado no governo liberal de Ronald Reagan.

Quando um investimento estrangeiro vai ser feito nos Estados Unidos ele passa pelas análises normais de legalidade e concorrência. E depois vai para o CFIUS onde a única questão em análise são os interesses do governo norte-americano.

Um negócio pode ser legal, pode não concentrar muito mercado e mesmo assim pode ser barrado no CFIUS simplesmente porque o governo dos Estados Unidos acha que aquilo atenta contra seus interesses.

Três casos de três governos recentes.

Em 2006, o governo Bush determinou que a Smartmatic Corporation deveria vender Sequoia Voting Systems depois que surgiram suspeitas de participação do governo venezuelano no controle da Smartmatic. Posteriormente, a Sequoia acabou falindo.

No governo Obama, a Huawei tentou comprar a divisão de telecomunicações da Motorola. Estava tudo ok, até que o CFIUS disse que havia um problema de segurança nacional, caso os chineses adquirissem as patentes da Motorola, e bye bye compra.

Em 2018, a Broadcom, de Singapura, foi impedida de comprar a Qualcomm por questões de “segurança nacional”.

Alguém imagina o que os liberais brasileiros diriam se algo assim existisse por aqui ?

Autor do Texto: Gustavo Gindre – Jornalista, mestre em Comunicação e Cultura, e há vinte anos acompanha e participa de movimentos pela democratização da comunicação.


Gostou? Compartilhe!