Por que os caminhoneiros devem apoiar a greve dos petroleiros?

Caminhões transitam pelo Porto de Santos, em São Paulo 25/02/2015 REUTERS/Paulo Whitaker
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Com a greve dos petroleiros em sua segunda semana, os caminhoneiros marcam uma paralisação para quarta-feira, dia 19 de fevereiro. A pauta principal do movimento é a possibilidade de revisão da tabela de fretes, negociada no fim da greve de maio de 2018, mas o preço dos combustíveis nunca deixou de ser assunto sensível à categoria. Por sua vez, os petroleiros estão em greve por causa da política de desinvestimento da Petrobrás, que pretende direcionar as ações da empresa para a exploração e venda de petróleo cru, não priorizando a ampliação da capacidade de refino.

Além disso, os petroleiros, amparados pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), também se posicionam contra a política de preços da nossa estatal do petróleo, imposta pela direção da Petrobrás em 2016, que encarece o preço final dos combustíveis, aumentando as margens de lucro e repassando os custos para o consumidor. Esses lucros, por outro lado, são distribuídos aos acionistas na forma de dividendos, tendo em vista que não há uma diretriz de ampliação de investimentos.

O governo se esquiva da questão dos altos preços dos combustíveis colocando a culpa no imposto estadual (ICMS). De fato, na gasolina, a alíquota de ICMS, ou seja, o percentual cobrado sobre o valor total do combustível, chega a quase 30% do valor, mas no caso do diesel, usado pelos caminhões, a alíquota chega a 12%, enquanto que os impostos federais chegam a 6%, perfazendo um total de 18% de impostos. Em contrapartida, 61% do valor do diesel é dado pela refinaria. Logo, a política de preços da Petrobrás tem um impacto muito grande no preço final desse combustível, não sendo responsável pela escalada deste tampouco os distribuidores e revendedores.

Assim sendo, não é possível que alguém possa dizer que não há convergência de pauta entre caminhoneiros e petroleiros. É preciso que a Petrobrás retome uma política estratégica de desenvolvimento da cadeia produtiva de petróleo e derivados, envolvendo não só a produção de combustíveis, mas também de fertilizantes. Não podemos ficar à mercê de uma política de preços internacionais, ainda mais quando o dólar está em alta, passando dos R$ 4,30.

Autor do texto: Arthur Kowarski


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