Dívidas da Petrobras não serão resolvidas com venda de ativos

Gostou? Compartilhe!

Segundo Ineep, endividamento da companhia seguiu ritmo alto em função das megadescobertas de óleo e gás do pré-sal.

Na última semana, a Petrobras divulgou que registrou lucro líquido de R$ 40,1 bilhões em 2019, o maior de sua história. Tal resultado foi obtido sobretudo com a entrada em caixa de recursos oriundos da venda de importantes ativos, como a TAG e a BR Distribuidora. Entretanto, o argumento da empresa de que a venda de ativos é necessária para reduzir seu endividamento desconsidera os desafios de curto prazo para exploração do pré-sal e as características da indústria de petróleo no longo prazo, marcadas pela alta volatilidade de preço e pela sinergia entre as diferentes atividades setoriais. Seja na comparação com outras petroleiras do mundo que descobriram grandes reservas de óleo e gás nos últimos anos, seja em relação ao ganho de reservas de óleo e gás da Petrobras a partir do pré-sal, descoberto em 2006.

É o que aponta a análise “O endividamento da Petrobras e as empresas internacionais”, desenvolvida pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). De acordo com o estudo, petrolíferas que fizeram grandes descobertas, entre 2009 e 2017, apresentaram uma trajetória de expansão do seu endividamento.

“A diretoria da Petrobras argumenta que um dos principais fatores para o atual processo de desmonte da companhia é seu alto nível de endividamento. De fato, a Petrobras detém a maior dívida entre as companhias de petróleo. No entanto, o endividamento não foi algo exclusivo da empresa. Outras petrolíferas que fizeram grandes descobertas nos últimos anos, como a ExxonMobil e a BP, também se endividaram e terão de se endividar ainda mais para executar seus projetos exploratórios”, explica Rodrigo Leão, pesquisador do Ineep.

O paper ainda ressalta que o pré-sal brasileiro foi a maior descoberta global de petróleo e gás natural das duas últimas décadas. Desde 2008, considerando apenas seis áreas – Franco, Libra, Iara, Sapinhoá, Carcará e Júpiter, todas na Bacia de Santos -, o volume estimado in place é de 74,7 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE), que soma os volumes de óleo e gás. Já a segunda maior descoberta de óleo e gás no mundo, as áreas de Barda Rash e Shakan, no Iraque, tem volumes estimados em 27,8 bilhões de BOE in place.

O volume do pré-sal exigiu que a Petrobras levantasse recursos para explorar seu potencial. Isso se confirma pelo fato de a companhia brasileira ter sido a que mais investiu entre 2009 e 2013, em comparação com BP, ExxonMobil, Equinor e Total. E em 2013, a empresa foi a que mais perfurou poços de exploração e produção na comparação com as outras – 558 no total.

“É importante lembrar que a dívida de hoje gerará receita e caixa para a empresa no longo prazo, por conta da produção do pré-sal, e este, por sua vez, poderá reduzir o endividamento original da Petrobras. O petróleo é uma atividade de altíssimo risco, que exige decisões de curto prazo, cujas ‘recompensas’ se darão num horizonte temporal muito mais longo”, explica Leão.

Já a produção de gás natural registrou aumento de 0,7% em janeiro de 2020. Com isso, atingiu a média de 139 milhões de metros cúbicos por dia (MMm3/d). Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP) o resultado supera o recorde do mês anterior. Se comparado a janeiro de 2019, a alta é de 22,6%. A maior parte, coube aos campos localizados nos estados do Rio de Janeiro (58%), São Paulo (13%) e Amazonas (11%) do volume total produzido.

No petróleo a produção chegou a 3,168 milhões de barris por dia (MMbbl/d), o que representa 2% a mais que o recorde verificado no mês anterior. Em relação a janeiro de 2019, a alta é de 20,4% . De acordo com a ANP, a produção total alcançou 4,041 milhões de barris equivalentes por dia (Mmboe/d). Essa quantidade supera, pela primeira vez, a marca dos 4 MMboe/d.

Na área do Pré-sal, a produção em 119 poços correspondeu a 66,4% do total nacional e chegou a 2,682 Mmboe/d. O petróleo respondeu por 2,150 MMbbl/d e o gás natural por 84,572 MMm3/d. Na comparação com o mês anterior, a produção total registrou alta de 1% . Já em relação a janeiro de 2019, 46%.

Ainda conforme a ANP, o aproveitamento de gás natural em janeiro ficou em 97,1%, com disponibilidade de 67,9 Mmm³/dia ao mercado. A agência reguladora informou que a queima de gás no mês atingiu 4,034 MMm³/d, representando aumento de 9,6% na comparação ao mês anterior e redução de 28,5% na relação ao mesmo mês em 2019.

Os campos marítimos responderam por 96,9% da produção de petróleo e 80,8% de gás natural. Somente os campos operados pela Petrobras somaram 93,3% do petróleo e do gás natural.

 Com informações Monitor Digital


Gostou? Compartilhe!