Em sondagem, 76% declaram medo de sair às ruas, com fim de isolamento

Saara - Rio de Janeiro
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Levantamento virtual realizado pela agência de publicidade Binder para seus clientes, com uma base de 700 entrevistados no Rio de Janeiro, em Brasília, em São Paulo e no Ceará entre os dias 3 e 9 de abril, consumidores declaram, que se o fim do isolamento social acontecesse, hoje, 76% teriam medo de retornar às ruas.

Alguns outros aspectos chamam atenção no levantamento. “Experiências pessoais fazem mais falta do que compras”, diz Miguel Heuseler, gestor de Contas de Atendimento da Binder e que conduziu a sondagem. “Das atividades que o consumidor mais sente falta, em primeiro lugar está ir a restaurantes e barezinhos; e, em segundo, ir à praia, somando 51% das saudades mais sentidas pelos entrevistados”.

No isolamento social, o consumo destas famílias concentra-se em alimentos (97%) e remédios (63%). Cosméticos representam 10% e vestuário, só 5%.

Os entrevistados realizam suas compras em mercados e padarias (89,8%) e farmácias (58,5%), indicando que o comércio local tem suplantado até as compras virtuais (36,9%).

“O levantamento dá uma boa indicação do sentimento e comportamento das pessoas nesse período de isolamento. De qualquer forma, estamos vendo números muito voláteis. Tudo está se transformando muito. É possível que, caso esta sondagem seja feita novamente no próximo mês, os números se transformem. Mas, o que mais chama atenção, em todos os números, é a insegurança de ir para as ruas. Isso não dá para saber quando vai passar”, afirma Glaucio Binder, sócio da agência.

Responsáveis por sugerir políticas públicas que ajudem a promover o bem-estar e os direitos de quem tem entre 15 e 29 anos de idade, membros do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) estão preocupados com os impactos da pandemia de coronavírus entre os jovens. A preocupação ocorre, principalmente, com a parcela mais vulnerável, afetada pelo desemprego e por outros problemas antes mesmo do surgimento da doença e das suas consequências econômicas.

“Basta vermos as dificuldades que os jovens já enfrentavam para sabermos que, a médio e longo prazo, quando superarmos a pandemia, os mais prejudicados serão eles. Principalmente os que não tiverem capacitação técnica, instrução ou experiência. Esses vão ter mais dificuldade de acessar os postos de trabalho”, disse o presidente do Conjuve, Rafael Davi Campos, à Agência Brasil.

Representante do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos no conselho, o advogado com pós-graduação em gestão pública defende que, embora a prioridade, neste momento, seja evitar que a doença se espalhe e proteger a população indistintamente, é necessário pensar adiante e providenciar meios de proteger os grupos mais suscetíveis aos desdobramentos da pandemia.

“É papel do Conjuve destacar a importância de não olharmos apenas para o presente, de nos anteciparmos e pensarmos no futuro. Nesse sentido, é preciso um olhar atento às políticas públicas voltadas para a juventude, pois muitos jovens são pais de família, sustentam suas casas, ajudam seus pais, e certamente enfrentarão grandes dificuldades” acrescentou Campos.

Devidos aos efeitos da pandemia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que, este ano, o Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil, cairá 5,3%. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, além de mortes, a Covid-19 pode causar o fechamento de 195 milhões de postos de trabalho em tempo integral, em todo o mundo. Só na América Latina e no Caribe, a crise pode custar 14 milhões de vagas de trabalho. Para o diretor regional da OIT, Vinícius Pinheiro, os impactos da Covid-19 sobre a economia vão exigir “verdadeira reconstrução dos mercados de trabalho”.

 Com informações Monitor Digital


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