O SURREALISMO FANÁTICO BRASILEIRO (PARTE 2)

Foto: Diego Nigro/JC ImagemData: 14-04-2014Assunto: POLÍTICA - A presidente Dilma Rousseff vem lançar ao mar o petroleiro Dragão do Mar, o terceiro de uma encomenda de 16 navios da Transpetro, subsidiaria da Petrobrás, ao estaleiro Atlântico Sul, em Suape - PE.
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Nesta seção trazemos como epígrafe a obra clássica de Jorge Luís Borges História Universal da Infâmia, publicada em 1935, e posteriormente incorporada ao panteão literário do realismo mágico/fantástico. Trata-se de uma coletânea de sete contos que trazem histórias de personagens patifes, criminosos, profetas, infames, vis, miseráveis que, em sua passagem infortunada no mundo, deixaram os seus nomes marcados na história da humanidade. A primeira narrativa apresenta a “culpável e magnífica existência do atroz Lazarus Morell”, um incomparável canalha que no início do século XIX pertencia aos grupo dos brancos pobres nos arredores do Mississipi, capaz de pregar com singular convicção alguns convenientes versículos das escrituras e de se aproveitar do momento em que um Partido Abolicionista agitava o Norte do EUA, negando a propriedade e pregando a liberdade dos negros. Lazarus incitava-os a fugir, o que culminava com uma punhalada baixa e o fundo do rio ao menor sinal de risco ao seu benfeitor.

Em 1834, Morell já havia “emancipado” uns setenta negros que se dispunham a segui-lo e aceitavam serem vendidos subsequentemente à outras plantações à troco de uma percentagem de seu preço em dinheiro, dólares de prata sonantes, e da facilitação da próxima evasão, oferecendo-lhes a oportunidade de aproveitar algumas rodadas de uísque nos bordéis em Illinois e a condução à um Estado livre da escravidão. O emancipador chegou a comandar uns mil homens juramentados, que não haviam sido vistos voltar por seus companheiros que, por isso, acreditavam na liberdade. Neste passo, seus arregimentados lhe desejavam enforcar e, ao fim, acabaram por delatá-lo às autoridades locais. Contudo, contrariamente à justiça (ou simetria) poética, Lazarus Morell acabou falecendo por uma congestão pulmonar e seu método nos serve de analogia às hostes do lulopetismo no campo do surrealismo fanático brasileiro.

Sabemos que, desde a sua origem, o Partido dos Trabalhadores sempre se tratou de uma estratégia orquestrada pelo general Golbery do Couto e Silva para representar os patrões (estrangeiros) na relação laboral com os brasileiros, conforme revelou com detalhes Mário Granero, interlocutor dos financistas da família Rothschild no Brasil. Da mesma maneira que falamos na primeira parte sobre o veto da presidenta empoderada Dilma Rousseff à auditoria da dívida pública em função de “conflito de competência”, desejamos abordar agora a grande operação de destruição das empresas nacionais de engenharia e infraestrutura chamada Lava Jato.

Este episódio triste da história do país, que destruiu o legado nacionalista e trabalhista de Getúlio Vargas, foi criado pela mesma mandatária da República, em parceria com o seu indefectível ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, cujo nome foi cuidadosamente preservado pelo limited hangout da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), Glenn Greenwald, na série de conhecida como “Vaza Jato”. Sabemos também que a operação Lava Jato foi possível somente devido a “Lei das Organizações Criminosas” (Lei 12.850/13), criada por Dilma em parceria com o Departamento de Justiça dos EUA após a revolução colorida de junho de 2013, amplamente utilizada para promoção política por oportunistas liberais do PSOL, como Marcelo Freixo, ícone dos identitários adulados pela Rede Globo e famoso por sua defesa de presidiários do Comando Vermelho.

Cabe mencionar ainda que a Lava Jato incorporou no arcabouço jurídico os métodos amplamente utilizados dentro da Petrobras para auxiliar Graça Foster, a primeira mulher na presidência da empresa e esposa do CEO da Shell, Colin Vaughan Foster, o que acabou por minar a atuação de Sergio Gabrielli e lhe rendeu processos na 13º Vara Federal de Curitiba. As consequências de todo este modelo de “gestão” foram o derretimento dos ativos da “empresa” e a flagrante evasão de divisas, chegando à mecanismos banais de transferência de dinheiro ao exterior como a aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA. Não custa lembrar ainda que foi Dilma quem nomeou Roberto Castello Branco para o conselho administrativo da empresa, que se trata do atual presidente da mesma, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, que à época declarou que “é inaceitável manter centenas de bilhões de dólares alocados a empresas estatais em atividades que podem ser desempenhadas pela iniciativa privada”.

Ainda neste campo de destruição dos pilares da economia e das instituições brasileiras, podemos ainda considerar a indicação de ministros para a Suprema Corte amplamente favoráveis à operação Lava Jato, que outrora estiveram próximos dos contratos da Petrobrás por meio de seus escritórios particulares de advocacia, como os xarás Luiz Fux e Luís Roberto Barroso. Vale considerar que a indicação deste último foi adulada pela esquerda identitária por este se tratar de um “progressista”, ardoroso defensor da exploração privada da maconha, da liberação do aborto e do ativismo judicial, à despeito de não terem respaldo do voto popular e do sistema democrático para tal fim. Somemos a isso a indicação e a recondução de Rodrigo Janot ao cargo de Procurador-Geral da República pela “guerreira” Dilma Rousseff, além da interferência de membros de petistas gaúchos na indicação dos desembargadores para o TRF-4, tribunal legitimador dos atos lava-jatistas.

Como se não bastasse, podemos somar ainda à esta breve “ficha-corrida” a indicação de Joaquim Levy para o comando do ministério da Fazenda, a cotação de Marcos Lisboa para comandar a economia da candidatura natimorta de Fernando Haddad e Manuela da Vila, todos aliados e integrantes da equipe do “super ministro” da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, que inclusive foi cotado para comandar a economia do dilmopetismo identitário. Apesar de toda a cumplicidade e parceria, os petistas sempre são ágeis em acusar de forma vazia a “classe média” ou as “elites” pelo golpe dado contra a nação brasileira, contudo ignoram solenemente a agência de interlocutores externos e os agentes internos ao próprio partido. No fim das contas, qualquer um que conheça minimamente o PT sabe os membros de qual corrente interna do partido foram todos presos, assim como sabe quais os motivos pelos quais a presidente guerreira jamais foi melindrada pela Lava Jato. Para incautos que desconheçam a história, muitos desses detalhes podem ser percebidos com nitidez no livro biográfico Zé Dirceu – Memórias, disponível pela Amazon, empresa de Jeff Bezos (risos).

Reiterando o foco no surrealismo fanático brasileiro, marcado pela falsa dicotomia do bolsolulismo, a direita surtada acredita que se libertará da degeneração moral da esquerda por meio do neoliberalismo hegemônico. Por outro lado, esquerda fanática acredita que irá superar o capitalismo selvagem com o identitarismo financistas de George Soros e do Lula Livre Mercado (estrangeiro). Ignorance égale. O que deveria soar estranho a todos é a maneira como o golpe contra o Brasil foi dado com tanta facilidade, seja à “direita” por ter conseguido derrubar o petismo, seja à “esquerda” por ter oferecido uma “resistência” de chuveiro (queimado). Quem conhece desse assunto é o clássico Ted Boy Marino, ícone do antigo Telecatch brasileiro, que pode ser sintetizada no ditado atribuído ao judeu alemão fundador de um dos maiores impérios bancários da história, Amshel Mayer Rothschild: “Controlar todos os lados de um conflito é a única forma de controlar um conflito”.

Brasilino dos Santos – Antropólogo


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