Alemanha: Angela Merkel promove drástica reengenharia na economia alemã

German Chancellor Angela Merkel and leader of the Christian Democratic Union (CDU) makes her keynote speech during the CDU party congress in Karlsruhe, Germany December 14, 2015. REUTERS/Kai Pfaffenbach
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Após a crise financeira que atingiu a Europa, a estratégia de Angela Merkel  era simplesmente estabilizar o navio alemão e sair do caminho, dando espaço para um sucessor, após mais de 15 anos no poder.

Mas o mundo mudou significativamente desde então.

Em uma sombria sexta-feira de março, com a evidente devastação causada pelo coronavírus, autoridades do governo da chanceler alemã Angela Merkel perceberam a necessidade de medidas extraordinárias para sustentar a maior economia da Europa.

Em velocidade vertiginosa, assessores do Ministério da Economia elaboraram um programa de resgate no valor de 600 bilhões de euros (US$ 660 bilhões) para evitar o colapso.

Com o aumento dos casos de coronavírus e restrições rigorosas sobre pessoas e empresas, houve pouco tempo para debate e nenhuma oposição significativa. No entanto, por trás da nervosa gestão da crise, havia uma estratégia mais profunda que já estava em elaboração há meses.

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A estratégia já havia sido rejeitada como radical demais para o establishment político e empresarial quando proposta pela primeira vez no ano passado. Mas, com a crise como catalisador, o pacote foi aprovado no gabinete na segunda-feira seguinte e era lei no fim da semana. Coloca Merkel no comando da mais drástica reengenharia da economia alemã desde a reconstrução do pós-guerra.

Quando terminar, a chanceler terá implementado um tipo de capitalismo de estado na Alemanha, muito semelhante ao modelo da França e que até se informa sobre o sucesso da China. O plano dará às autoridades do governo de Berlim novos poderes para intervir na economia: escolherão entre vencedores e perdedores, semeando novas indústrias e preparando campeões nacionais. A compra de participações em empresas não é mais um tabu, e a política de orçamento equilibrado foi descartada para liberar todo o poder do balanço alemão.

Em outras palavras, o resgate histórico de 9 bilhões de euros (US$ 9,8 bilhões) desta semana para a Deutsche Lufthansa – incluindo a participação de 20% do governo e o direito de bloquear aquisições indesejadas – é apenas o começo. Mais do que apenas garantir as conexões aéreas da Alemanha com o mundo exterior, o acordo estabelece um marcador de como o governo Merkel pretende que a economia seja administrada na era pós-pandemia.

É uma oportunidade única para Merkel expiar erros passados. Mesmo antes da pandemia, a Alemanha tropeçava. A dependência de tecnologias intensivas em carbono, rede digital nacional irregular e burocracia revelaram falhas na gestão da chanceler da máquina de exportação do país.

Com informações Infomoney


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