Na pandemia, setor público se dá bem enquanto o privado se estrepa

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O caso de Minas Gerais é exemplar: o governo estadual entrou na pandemia na maior ruína financeira, com dificuldades para pagar até salários, mas caminha para sair dela com menos déficit e quadro fiscal melhor. Isso enquanto o setor privado acumula perdas e mais perdas: de empregos, salários, faturamento, produção, vendas, produtividade, tudo.

Neste ano até aqui, as receitas estaduais estão só 3,6% abaixo do previsto no orçamento. O que é um resultado excepcional. Há anos tem sido prática usual no poder público superestimar o orçamento e jogar pra cima as estimativas de entrada, por uma razão simples: pode-se cortar despesa se faltar receita, mas não se pode criar gasto se sobrar verba. Não fosse a pandemia, o governo de Minas dificilmente chegaria tão perto de bater a meta de receitas.

Os recursos extras que o estado começou a receber em função do coronavírus praticamente cobrem as perdas de arrecadação. A melhoria do quadro fiscal é significativa.

Pelas projeções independentes do auditor fiscal Lázaro Borges, consultor do site Os Novos Inconfidentes, o déficit estadual em 2020 deve ficar em em torno R$ 6 bilhões, contra uma previsão inicial de mais de R$ 13 bilhões. Em 2019, o rombo foi de R$ 8,6 bilhões.

As contas de Borges não incluem despesas com as dívidas estaduais, que consomem cerca de R$ 8 bilhões por ano. Os débitos com a União e bancos foram suspensos até o final de 2020. Mais um ato de generosidade do governo federal e do Congresso com os governadores e prefeitos.

Como Minas, todos os estados estão sendo beneficiados, assim como as prefeituras. Há cidades em Minas que sairão da pandemia com mais dinheiro em caixa, como já mostrou uma reportagem de Marcelo Gomes neste site.

Acrescente-se ainda que nenhum servidor perdeu emprego ou sofreu corte de salário. Não há notícia de corte de despesas ou medidas de economia por parte de qualquer órgão público. Ao contrário, a palavra de ordem no setor é gastar. Relaxaram-se as regras de contratação e compras para aumento dos gastos.

A situação dos governos contrasta com a do setor privado, onde quase todos enfrentam uma crise inédita de liquidez e tentam superar as dificuldades cortando despesas até o osso, quando não fecham portas ou suspendem atividades.

O arranjo para poupar os cofres dos governos na pandemia está sendo possível com endividamento público. Que vai virar um tremendo rombo no Tesouro Nacional. Que é sustentado pela força produtiva do país, o setor privado. Que está se estrepando na mesma pandemia.

A equação não fecha: como empresas e trabalhadores privados, já empobrecidos como nunca, vão arcar com o peso de mais essa gigantesca dívida?

As decisões que os governantes e parlamentares vêm tomando a propósito de combater o coronavírus estão agravando distorções e desigualdades. E vão cobrar um preço caríssimo à população. Poderia ser diferente, mas todos andam preocupados demais com a própria sorte e a sobrevivência imediata para se preocuparem com o futuro e com o país.

Com informações Novos Inconfidentes 


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