Eduardo Marinho – Há política além de partidos

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Por Eduardo Marinho.

A afirmação de que “sem partidos não se faz política”, que a gente escuta de vez em quando por aí, é um grande engano, na minha opinião.

Eu fiz política a vida inteira, sem me filiar a nenhum partido. Participei de ações, manifestações, passeatas, ativamente, produzindo cartazes, levando filho pequeno, convivi com os partidários de diversas linhas e grupos. Quando me chamavam à filiação, às vezes fazendo cobrança de “posicionamento”, eu dizia que era filiado à minha consciência e a nada mais, jamais pensaria de acordo com as conveniências de um partido, de um grupo, de uma linha de pensamento que não partisse da minha própria consciência, com base na minha visão de mundo, na minha vivência.

Com o tempo e a convivência, fui vendo na política partidária – comprada, na minha visão, mas que poderia ser tomada pela sinceridade, honestidade e espírito de serviço à coletividade como um todo – verdadeira farsa institucional, montada em todos os seus detalhes pra não ameaçar a estrutura social, dominada dos bastidores pelos poderes econômicos esmagadores de mega-banqueiros internacionais, acompanhados pelo seu séquito de mega-empresas transnacionais, com seus acionistas podres de ricos e ávidos de mais e mais.

Esse domínio se vê nas prioridades dos governos e instituições, sua proximidade com os mais ricos, sua promiscuidade público-privada, que só confirma essa fachada safada e mentirosa de “democracia”, quando o que se vê são “instituições democráticas” infiltradas, influenciadas e dominadas por poderes econômicos e financeiros.

“Políticos” de partidos, pra mim, ou são meros farsantes, ou iludidos que pensam que através dessas instituições se vai poder afetar a estrutura social ou são os que se conformam em fazer o que for possível dentro do esquema armado e passam a agir de acordo, armando, fingindo, mentindo, jogando com a imagem, com a mídia, com interesses, sem perceber que são úteis ao sistema social empresarista e patrimonial – desumano e antissocial – ao figurar como “prova” de que isso é uma democracia – “eles podem falar assim porque isso aqui é uma democracia”. São os dons quixotes institucionais, sem poder pra sequer tocar na estrutura.

Nem a CPI da dívida pública, relutantemente instaurada, deu algum resultado prático. A dívida criminosa taí, firme e forte. E as esquerdas, em sua arrogância, não têm contato verdadeiro e profundo com a população. Seus condicionamentos de falsa superioridade são uma barreira imensa, tanto no trabalho imprescindível de conscientização dos sabotados sociais, quanto no enxergamento verdadeiro da realidade. Acabam dando legitimidade à farsa.

“Sem partido não se faz política” é um grande equívoco, uma indução estratégica em que os interessados em construir uma sociedade menos injusta caem, por não fazerem a revolução de base, a interna, se reconhecendo condicionado e induzido por estratagemas dos poderes reais, nos subterrâneos dos poderes falsamente chamados de públicos. Democracia é um povo bem nutrido, com uma boa educação, instruído, informado de verdade, consciente do seu valor, dos seus direitos e dos mecanismos de controle sobre os seus representantes. Ou seja, estamos muito longe de uma verdadeira democracia.

Com informações Observador


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