Pandemia acentua desigualdade entre formais e informais

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Renda emergencial conseguiu cobrir perdas na renda para 76% dos trabalhadores.

Mais de um terço (36%) dos trabalhadores ocupados em maio (30 milhões de pessoas) tiveram alguma perda no rendimento na comparação com a situação anterior à pandemia. Esse quadro se deve em grande parte à redução de demanda na economia ou à impossibilidade de o trabalho ser realizado diante das regras da quarentena. Cerca de 61% dos ocupados afastados das atividades tiveram perda média de 49% nos rendimentos, informa boletim divulgado pelo Dieese.

A pandemia e o isolamento social tiveram maior impacto entre os trabalhadores informais. Mais da metade (56%) teve perda de rendimento. Entre os formais, 26% apresentaram redução da renda. A renda dos informais caiu 36%, percentual mais alto do que o verificado entre os trabalhadores com carteira assinada (12%).

“A pandemia acentua também as desigualdades de remuneração entre trabalhadores que permaneceram ocupados”, afirmou o supervisor do escritório do Dieese em São Paulo, Victor Pagani, ao Jornal Brasil Atual.

Entre os trabalhadores que continuaram em atividade, mas que perderam renda, metade recebeu o auxílio emergencial. Os ocupados que acessaram o auxílio recebiam R$ 1.427 como rendimento do trabalho e tiveram perda de R$ 901 em média. Isso significa que o auxílio (com valor de R$ 600 ou R$ 1.200, dependendo do caso) praticamente cobriu a maior parte das perdas.

Para 76% dos ocupados cujos rendimentos foram reduzidos e que conseguiram acessar os R$ 600 de auxílio, o valor do benefício foi suficiente para cobrir as perdas. Entre os ocupados que receberam R$ 1.200 como auxílio, 92% tiveram as perdas cobertas.

A partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Covid), divulgada pelo IBGE, foi possível compreender melhor a situação de algumas ocupações que não são facilmente captadas pela Pnad Contínua, afirma o Dieese.

Uma delas é a de Entregador de mercadorias, que reúne 646 mil pessoas no Brasil, dos quais 94% são homens e 62%, negros. O rendimento médio efetivo desse pessoal em maio foi de R$ 1.142, cerca de 18% a menos do que o habitual. A massa de horas efetiva diminuiu 19% em relação ao usual.

A ocupação de Motorista (de aplicativo, de táxi, de van, de mototáxi, de ônibus) tinha pouco mais de 2,1 milhões de trabalhadores no país. Quase a totalidade era do sexo masculino (95%) e 59% eram negros. O rendimento desse grupo também foi de R$ 1.142, mas com queda de 39% em relação ao habitual. Destaca-se que a jornada média de trabalho diminuiu 48% em maio.

Com informações Monitor Digital


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