Pandemia levará ao fechamento de 2,7 mi de empresas na América Latina

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Recuperação será difícil, e Cepal defende anistia de impostos até o final do ano.

Mais de um terço do emprego formal e um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe são gerados em setores fortemente afetados pela crise econômica decorrente da pandemia, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Apenas um quinto do emprego e do PIB são gerados em setores que serão afetados de forma moderada.

O relatório especial Covid-19 n⁰ 4 (“Setores e empresas diante da Covid-19: emergência e retomada”) foi apresentado pela secretária-executiva do organismo regional, Alicia Bárcena, em coletiva de imprensa virtual realizada em sua sede em Santiago, Chile.

De acordo com as informações coletadas até a primeira semana de junho, o impacto será muito maior no caso das micro, pequenas e médias empresas. A Cepal estima que serão fechadas mais de 2,7 milhões de empresas formais na região, das quais 2,6 milhões microempresas. Isso irá gerar uma perda de 8,5 milhões de empregos, sem incluir as reduções de empregos promovidas pelas empresas que continuarão a operar.

No relatório, são identificados três grupos de setores de acordo com a magnitude dos efeitos da crise (fortes, significativos e moderados). Os setores mais afetados são o comércio atacadista e varejista; as atividades comunitárias sociais e pessoais; hotéis e restaurantes; atividades imobiliárias, empresariais e de aluguel; e as manufatureiras.

O impacto será muito diferente dependendo do setor e do tipo de empresa. Vários dos setores fortemente afetados, como o comércio, hotéis e restaurantes, contam com uma grande quantidade de micro e pequenas empresas, que serão as mais atingidas. Por exemplo, o comércio perderá 1,4 milhão de empresas e 4 milhões de empregos formais, enquanto o turismo perderá pelo menos 290 mil empresas e 1 milhão de empregos.

O adiamento dos pagamentos e a melhora no acesso ao crédito têm sido as ações mais frequentes para enfrentar a emergência gerada pela crise. Essas medidas pressupõem que as empresas gerarão lucros com os quais pagarão os créditos e os impostos e pagamentos diferidos, mas as perspectivas não indicam que isso acontecerá em um prazo de alguns anos, já que, muito provavelmente, a recuperação do setor empresarial será lenta e gradual, alertou a Cepal.

O organismo da ONU defende o adiamento ou cancelamento de pagamentos de impostos, contribuições para a previdência e contribuições territoriais, ou adiantamento de devoluções de impostos pelo menos até o final de 2020, bem como a suspensão do pagamento dos serviços básicos (luz, internet e gás), sem pagamento de multas.

Com informações Monitor Digital


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