Privatização da Eletrobras elevará conta de luz

Eletrobrás - fonte: Estadão
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Projeto de Bolsonaro permite usinas antigas cobrar mesma tarifa das novas.

Além de ser um ataque à soberania nacional, a venda de estatais, da forma como pretende o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um mau negócio. O governo vai arrecadar com a venda da Eletrobras de R$ 10 a R$ 12 bilhões, só que a empresa tem hoje em caixa R$ 11 bilhões e só no ano passado teve lucro de R$ 10,7 bilhões, explica Ikaro Chaves, engenheiro da Eletronorte e diretor do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (STIU-DF).

Ele alerta para o aumento nas tarifas que viria depois. Segundo disse Ikaro ao site da CUT, uma Medida Provisória (MP) de Dilma Rousseff, autorizou as hidrelétricas, que já tiveram seu custo de obra pago, a reduzir o valor de R$ 200 o megawatt/hora para R$ 40, o que diminuiu o preço pago pelo consumidor nas contas de energia.

“Uma hidrelétrica leva no mínimo 10 anos para ser construída, e depois que seu custo é pago ela tem gastos muito pequenos, porque é água que passa por ela, diferente das termelétricas que precisam de combustíveis para funcionar. Dilma permitiu que o consumidor não pagasse mais pelo custo da obra, barateando a conta de luz. Mas o Projeto de Lei 5.877 [que está na Câmara], do Governo Bolsonaro, prevê que essas hidrelétricas possam vender energia com o mesmo preço das demais”, diz o engenheiro.

O governo vai arrecadar com a venda da Eletrobras de R$ 10 a R$ 12 bilhões, e o povo brasileiro vai pagar mais de R$ 300 bilhões ao longo de 30 anos, alerta Ikaro Chaves.

Para a professora de Economia da USP Leda Paulani, o anúncio de que pretende privatizar estatais num curto prazo é uma estratégia de Guedes dizer ao mercado financeiro que o programa ultraliberal com o qual Bolsonaro foi eleito, com apoio dos empresários, continua, apesar da condução da economia estar sendo revista em todo o mundo. “Pela primeira vez em quatro décadas há uma clara confrontação dos princípios neoliberais com os setores progressistas de que é preciso investir no social, do Estado ser o indutor da economia”, diz Leda.

Uma das preocupações com a venda das estatais, prossegue a economista, é que o país perde as ferramentas, os graus de liberdade para poder intervir na economia. “O investimento público é o que mais rápido tem efeito sobre o comportamento da economia. Nesta crise econômica, o governo deveria fazer um programa de investimento público. Não é hora de privatizar nada”, critica a professora da USP.

Com informações Monitor Digital


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