Martha Rocha, pré-candidata à prefeita, mostra quem é, seus planos e os seus projetos para a cidade do Rio de Janeiro

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Por Apio Gomes e Osvaldo Maneschy

“Se existe um lugar que você conhecer a realidade, que você conhece a vida como ela é, sem dúvida é num plantão de delegacia de polícia”

A deputada Martha Rocha, pré-candidata do PDT à prefeita da Cidade do Rio de Janeiro, em longa entrevista aos jornalistas Quintino Gomes e Felipe Lucena, do blog “Diário do Rio”, apresentou boa parte de seus planos para governar a cidade – caso seja a escolhida pelos milhões de eleitores do Rio de Janeiro; e também quem é, ao falar de sua vida e atuação política nas últimas décadas, mostrando-se de corpo inteiro de forma transparente.

Nestes dias difíceis de pandemia e de violência, Martha mostra nesta entrevista, de forma objetiva e didática, caminhos para melhorar a vida dos cariocas a partir de sua vasta experiência no serviço público, em que ocupou cargos diversos na área da Segurança Pública – um dos assuntos que mais domina.

Como destacamos a seguir, Martha mostra a sua proposta para, se eleita, levar a Prefeitura a cooperar efetivamente com o Estado no combate à violência no Rio; além de abordar, ao longo da entrevistas vários assuntos diferentes – todos de interesse dos cariocas.

Por que é pré-candidata à prefeita?

Uma das primeiras perguntas foi sobre a razão de se candidatar ao espinhoso cargo de prefeita, nos tempos bicudos de hoje, que antecedem à brutal crise econômica que está sendo esperada no período de pós-pandemia; e até antes, a partir de setembro próximo. Martha respondeu à provocação dos jornalistas:

– Passei 31 anos na Polícia Civil. Cresci e envelheci na Polícia Civil. Se existe um lugar que você conhece a realidade, que você conhece a vida como ela é, sem dúvida nenhuma é num plantão de uma delegacia de polícia. Lá, você entende o que é a desigualdade social; a fragilidade das pessoas; a vulnerabilidade das vítimas. Então, eu acho que a polícia me deu esta capacidade de ver a vida como ela é, como disse Nelson Rodrigues. (…) Hoje me sinto amadurecida, porque conheço a minha Cidade. (…) e com a experiência que trago, me sinto preparada para submeter meu nome à vontade do povo do Rio de Janeiro.

Martha Rocha tem clareza que assumir a prefeitura, não será tarefa fácil. “Qualquer pessoa que sentar naquela cadeira vai ter um grande desafio. Estamos saindo de uma pandemia; nós temos que descobrir o que é o novo normal e esta Cidade apresenta sinais de esgotamento financeiro. Precisa, sobretudo, vontade de trabalhar, que tenha criatividade e que tenha compromisso com a ética”. Ela está disposta e aceita o desafio.

Sobre as especulações de que não estaria disposta a ser prefeita, mas vice, argumentou enfaticamente:

– Sem querer ser arrogante, eu sempre soube o que quero. Quando meu nome foi sondado, em 2018, para concorrer a um cargo majoritário, eu tinha a clareza de que queria era estar no Legislativo: eu tinha construído meu primeiro mandato e queria um segundo mandato para continuar a experiência de ser deputada estadual. Com todo respeito a todo mundo que me adoraria ter como Vice, esta questão é uma rua de mão dupla: não basta alguém querer que eu seja Vice; é preciso que eu também queira. Nunca ambicionei ser governadora, senadora, deputada federal; mas ser prefeita da cidade que amo… Eu não quero sair da Cidade do Rio de Janeiro; eu não faço planos, nunca fiz planos de morar em outra cidade que não fosse o Rio de Janeiro. Este desejo eu tenho. Para isto quero me preparar; e para isto eu submeto meu nome, no momento certo, já que sou pré-candidata à vontade do povo da minha cidade.

Um dos jornalistas, provocando-a, perguntou como se sentia hoje depois de ter sido chefe da Polícia Civil na administração do ex-governador Sérgio Cabral, preso e condenado a dezenas de anos de prisão, por corrupção. Martha aceitou a provocação.

– Olha, você vai me desculpar, mas não tenho que me defender de nada! Este é o primeiro ponto. Quando cheguei ao cargo de Chefe da Polícia Civil, eu tinha 28 anos na Polícia Civil, 20 anos como delegada, tinha ocupado todos os cargos, exceto o de Chefe da Polícia Civil. Minha carreira credenciava a escolha técnica do meu nome. Quero dizer que trabalhei muito na chefia: foram três anos dedicados à Polícia Civil. Meu primeiro ato foi devolver o camarote no Sambódromo: a Polícia Civil não tem que ter um camarote; tem que ter um espaço, com policiais qualificados, para atender turistas nacionais, cariocas e estrangeiros. Agora, eu fui uma profissional técnica. Duvido que alguém encontre uma digital minha num ato de malversação de dinheiro público ou de compadrio na corrupção.

Martha não fugiu da pergunta de por que as esquerdas não se aliaram para disputar a prefeitura – o que poderia facilitar a vitória.

– Esta campanha vai ser levada no debate e não na guerra das narrativas, respondeu de forma sucinta.

Ao falar também sobre Brizola e Ciro, não economizou palavras

– Primeiro, quero agradecer a pergunta e dizer que fico superfeliz que um questionamento seja dirigido a mim falando sobre Brizola e sobre Ciro Gomes. Minha primeira titularidade na polícia se deu na segunda gestão de Brizola, quando assumi a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, na Zona Oeste, que foi inaugurada em 1991. Em 1992, fui escolhida delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, que fica no Leblon. Em 1993, fui escolhida diretora do Departamento de Polícia Especializada – que é um departamento mais operacional, que tem sob seu comando a Divisão de Combate a Entorpecente, Roubos e Furtos, Roubos e Furtos de Veículos. Então, estes três cargos exerci no segundo mandato de Leonel Brizola. Quando a gente visita e revisita a gestão do governador Leonel Brizola… Acho que se a gente não tivesse sofrido (nós, povo do Rio de Janeiro) o estelionato eleitoral de Moreira Franco, que disse que acabaria com a violência em seis meses – e, com isto, foi eleito e destruiu o projeto dos Cieps – talvez a gente teria uma nova concepção de Rio de Janeiro. Como dizia o professor Darcy Ribeiro, vamos construir escolas para não construir presídios. Aprendi que a Educação é a melhor vacina contra a violência.

Prosseguindo, falou de Ciro e de sua pré-candidatura à presidência da República.

– E Ciro Gomes? Eu tenho a absoluta certeza de que muitos votos dados ao presidente Jair Bolsonaro foram dados como discórdia de um partido que se encontrava no poder. Talvez se essas pessoas tivessem direcionado esses votos para Ciro Gomes, que chegou em terceiro lugar, tenho a convicção de que a História do Brasil seria contada de outra forma. Tenho muito orgulho de estar no PDT de Leonel Brizola, no PDT de Ciro Gomes.

Martha Rocha também passou a sua visão sobre um dos temas que mais aflige os cariocas, a Segurança pública.

– O que você está dizendo para mim é o seguinte: é legítimo que um cidadão carioca esteja diante de uma pré-candidatura de alguém passou 30 anos na Polícia Civil; é legítimo esperar que esta pessoa, em algum momento, utilize sua experiência e seu saber para ajudar no enfrentamento da questão da criminalidade? Pois digo que a questão da segurança pública não é feita somente com polícia. Tanto é verdade que a Constituição Federal diz que segurança é um dever de Estado e responsabilidade de todos. E o papel do prefeito é muito importante. A Prefeitura pode atual exatamente neste olhar da prevenção.

A Polícia Civil não conta com dez mil policiais civis; a Guarda Municipal da Cidade do Rio de Janeiro tem mais de sete mil guardas municipais. Então, ela é uma força importante no patrulhamento, na proteção do cidadão – ajudando na ordem pública. Um prefeito é, na verdade, um estadista (pelo menos deveria ser): tem que fazer uma gestão integrada. (…).

Então, se tenho um gabinete de gestão integrada, conduzido pelo prefeito, que chama para reuniões, periódicas e permanentes, a discussão da questão da segurança pública, a Prefeitura pode ajudar muito. Nós temos o Centro de Operações Rio. Eu, por exemplo, sou moradora da Tijuca. Existe meia dúzia de saites na Tijuca que dão notícias sobre as questões que acontecem, que impactam o tijucano na questão da criminalidade e da violência. Mas estas informações estão perdidas. Ora, estas informações e imagens poderiam estar armazenadas neste Centro de Operações Rio. A Prefeitura paga o Centro Presente. Então, o prefeito tem o direito e o dever de saber o resultado dessa ação: que é conduzida pelo Governo do Estado, mas é custeada pela Prefeitura.

A questão das construções ilegais e a atuação das milícias, também entrou na conversa:

– A gente está assistindo aos jornais noticiarem construções ilegais. O prefeito fez a sua lei do puxadinho, que teve um embate, uma crítica forte daqueles que cuidam da questão do espaço urbano. A milícia, hoje, não trabalha mais com transporte complementar, alternativo, com kit gás, com gato. Ela trabalha com construção civil: é uma milícia empreendedora. O que aconteceu na Muzema não é possível que a Prefeitura não tivesse visto. Agora, não dá para o técnico da Prefeitura mandar uma comunicação para o procurador do município, que vai mandar um ofício para o MP, que vai… Isto não é mais possível nestes tempos, que exigem, de cada um de nós, integração, capacidade de diálogo.

Martha acha ainda que há muito trabalho a ser feito nas áreas da Educação, da Saúde da Assistência Social do carioca.

– O Rio de Janeiro tem altos índices de evasão escolar. O ano de maior incidência é o sexto ano (adolescente e pré-adolescente). Os meninos saem da escola… Os meninos têm 60 vezes mais chance de sair da escola que as meninas; e eles só têm dois caminhos: vai, de forma precária, para o mercado de trabalho ou para outro caminho. Então, fazer estas articulações das políticas públicas com a educação, com a assistência social.

Outro ponto que destacou é a necessidade, no seu entender, de fortalecer a Guarda Municipal.

– A Guarda Municipal também pode atuar como um órgão de inteligência, com planejamento estratégico: fazendo a composição territorial, no sentido de ter informações de georreferenciamento; saber aonde estão as manchas quentes – exatamente aonde acontecem os crimes. O crime que mais acontece no Rio de Janeiro é o crime de rua: o furto e o roubo, que são crimes de oportunidade. Mas ele tem um detalhamento territorial; e também no momento em que ele acontece, no horário que ele acontece. A prefeitura detém uma série de informações. Então, eu acho que todo prefeito pode fazer muito; e ajudar muito nesta questão do enfrentamento da violência.

E disse ainda, a respeito dos recursos para tocar a vida da prefeitura:

— Dinheiro, a rubrica orçamentária é importante? Claro que é importante. Mas também a vontade política e a capacidade de gestão e compromisso com aquela estratégia também são muito importantes, garantiu.

Conheça a biografia de Martha Rocha

Com informações PDT


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