O Brasil é mais do que nunca uma Colônia dos Estados Unidos

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Por Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

Não há mais soberania nacional. Não que tenha havido, em algum momento, para nós brasileiros, ou até mesmo para nossa América Latina, – exceto o recente caso venezuelano, que a exerce, entretanto, sob gigantesca pressão imperial e a duras penas. Mas a situação do Brasil é algo grave, e talvez nunca antes visto em nossa história. O nacionalismo de goela de Bolsonaro é, de forma orwelliana, o entreguismo mais grave que já sofremos – e a “esquerda”, que se banha no liberalismo e no bom-mocismo, ignora esse fato ao desconsiderar toda circunstância geopolítica de nossa miséria, além de mimicar qualquer pensamento tosco que saia dos salões franceses ou estadunidenses. Em outras palavras, pensam que vivem na Dinamarca ou Suíça, atuam politicamente a partir disso, e jogam nas costas do povo sua própria derrota e miséria histórica.

Os atores diretos do entreguismo radical são os ditos “bolsonaristas”, o movimento dito “fascista”, porém sem seguidores. Um movimento que vive do vácuo, da completa incapacidade da esquerda liberal de interpretar o Brasil. Mas será apenas mais uma nota de rodapé na história brasileira, assim que a realidade material se impor de maneira que as ilusões não sejam mais possíveis. E esse momento se aproxima. Mas o governo atual, que se nutre desta lógica do vácuo, é o braço do imperialismo gringo no Brasil, atua em favor dos interesses dos Estados Unidos e da burguesia “nacional” – e somente deles – que lava dinheiro sujo através de investimentos “estrangeiros”, como vimos nos recentes desdobramentos do caso Banestado. O chicago boy Paulo Guedes faz a liquidação do patrimônio brasileiro, enquanto as lideranças de “esquerda” se distraem com a polêmica inútil da semana, e os militares brasileiros se iludem ao achar que Bolsonaro mudará alguma coisa neste país, acreditando que ele possa ser – mesmo que inconscientemente – uma ameaça à ordem de 1988 e à República Rentista. Estão profundamente enganados.

Em entrevista na quarta-feira (29/07), o embaixador gringo no Brasil, Todd Chapman, “alertou” os brasileiros de que “haverá consequências” caso permitirem a instalação da tecnologia 5G chinesa da Huawei. Uma ameaça tosca e irresponsável, frente a pífia e ridícula situação estadunidense diante da nova fronteira tecnológica: não há sequer uma empresa norte-americana capaz de produzi-la. Na ausência de capacidade técnica e intelectual do império em seguir o rumo de desenvolvimento da humanidade, agem como verdadeiros gangsters e piratas do mundo, ameaçando nações e povos que ousem agir de forma independente.

O embaixador gringo atua como um interventor colonial, e Bolsonaro como um vassalo de quinta categoria. Foto por Alan Santos.

Esse não é o caso do Brasil, obviamente, pois, frente à ameaça absurda do embaixador – que em qualquer país sério seria convocado a dar explicações: que tipo de consequências serão essas ? Que legitimidade tem os Estados Unidos para decidir os rumos do Brasil? – ficou o silêncio ensurdecedor por parte das autoridades brasileiras, mostrando que nosso país, infelizmente, se tornou território americano: eles aqui fazem o que bem entendem, e dane-se o povo brasileiro! Uma vergonha, o ponto mais baixo de nossa civilização. Assim como viveram os chineses seu “século da humilhação”, nós brasileiros vivemos agora o nosso.

Coincidentemente, o playboy multibilionário Elon Musk, expôs a arrogância e a decadência moral do império em seu twitter no dia 25 de julho. Afirmou, “Nós daremos golpes em quem quisermos! Lidem com isso!”, referindo-se ao golpe militar realizado na Bolívia, que dentre seus objetivos, estava a pilhagem de suas imensas reservas de lítio, fundamental na produção de baterias eletrônicas.

Alguns diriam que ambas declarações, do embaixador e do empresário gringos, ocorrendo em um curto espaço de tempo, seriam mera coincidência – principalmente nossa “esquerda”, que esbanja ingenuidade. Mas elas representam, para nós, povo brasileiro e latino-americano, uma mensagem clara: o império decadente, agressivo como nunca, jamais aceitará a soberania do Sul Global, dos países dependentes. E sua decadência moral implica na exposição às claras dessas intenções, ainda mais na atual conjuntura, onde ocupa o cargo presidencial um fantochezinho norte-americano como Bolsonaro.

Lembremos: a decadência inevitável do império abre uma janela histórica riquíssima para o desenvolvimento nacional brasileiro. Não se trata aqui de um alinhamento automático com a China – ou com quem quer que seja, se trata de resolver a questão política nacional (em outras palavras, uma luta revolucionária de libertação nacional) e utilizar as circunstâncias geopolíticas em nosso favor. Não interessa a nós brasileiros o declínio estadunidense ou a ascensão chinesa; o que nos interessa é o desenvolvimento do Brasil e nossa soberania popular.

Mas isto será impossível enquanto o poder continuar nas mãos de entreguistas e banqueiros antinacionais.

Com informações Nova Margem


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