Alta da gasolina e alimentos devem pressionar inflação

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Excesso de liquidez influencia na alta dos preços; onda de fusões e aquisições deve impactar postos de trabalho.

Amanhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O resultado do mês de agosto deverá fechar em 0,21%, projetando uma inflação de 1,78% para o ano de 2020, como aponta a análise do professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), George Sales.

O especialista explica que a gasolina e os alimentos devem pressionar o resultado. “A inflação do mês de agosto deve ser puxada pela alta dos preços da gasolina, em até R$ 0,40 o litro, que foi puxada pela valorização do dólar e também pela cotação do petróleo no exterior. Outro item que está pressionando a inflação são os alimentos e um dos motivos é a forte demanda da China por mantimentos, aliado ao dólar acima R$ 5,30 que está pressionando os preços dos alimentos internamente para os brasileiros. Além dos fatores externos, há também o excesso de liquidez por conta dos repasses governamentais de auxílio à população, ou seja, os R$ 600 emergenciais são prioritariamente destinados à alimentação e, portanto, já é possível sentir o aumento dos preços dos alimentos nos supermercados”, destacou.

Segundo Sales, com as pessoas passando mais tempo em casa, o dinheiro circula menos o que afeta o poder de compra. “A não circulação das pessoas também freou a movimentação do dinheiro, que de uma forma natural, impulsiona uma economia. Por conta dessa baixa atividade estamos presenciando uma baixa inflação e como medidas de combate à essa queda o governo reduziu as taxas de juros e liberou recursos, como o saque emergencial e linhas de crédito subsidiadas. Mas, mesmo assim a economia ainda está reagindo lentamente aos estímulos. E, portanto, a inflação acumulada não deverá ser um problema até o fim deste ano”, ressaltou o professor da Fipecafi.

Sales comenta ainda que as decisões e o comportamento do setor empresarial devem afetar negativamente o aumento dos postos de trabalho. “O excesso de liquidez que foi utilizado pelo governo para manter momentaneamente as famílias, acaba por consequência gerando concentração de renda nos mais ricos. Desta forma, iremos presenciar uma onda de fusões e aquisições nos próximos meses. No Brasil essa condição pode ser potencializada pelo câmbio, que tornou nossa moeda mais barata para estrangeiros. Uma onda de fusões e aquisições pode gerar um impacto negativo para o aumento dos postos de trabalho”, explicou.

A queda do PIB no segundo trimestre também gera impactos, pois está relacionada à baixa atividade econômica. “Ao ficar em casa o dinheiro não circula e, consequentemente, negócios deixam de ser realizados provocando uma instabilidade. Adicionado a isso, há também, o conservadorismo natural em condições de crise, pois com a instabilidade econômica as famílias tendem a se tornarem mais comedidas em seus dispêndios. Como a inflação é o reflexo do aumento de atividade, a retração ocasionada nos dias atuais por conta de toda restrição, aponta para uma baixa inflação”.

O especialista também pondera que o novo coronavírus ainda deve impactar os resultados até que uma solução venha à tona.“”Os impactos na inflação e consequentemente no IPCA, serão sentidos até que uma solução definitiva seja colocada à mesa pela área da saúde, como é o caso das vacinações em massa. Somente com a retomada das condições sanitárias é possível reestabelecer uma retomada consistente”, finalizou.

Com informações Monitor Digital


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