Ciro Gomes – “exercício inédito de construir um polo progressista que dialoga”

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O vice-presidente nacional do PDT, Ciro Gomes, concedeu uma longa e detalhada entrevista ao Valor Econômico, publicada nesta terça-feira 22/9. Nela, Ciro comenta a estratégia de unir PDT, PSB, Rede e PV num novo campo político que tenha capacidade de abrir novas frentes de diálogo com o centro democrático e reconcilie o discurso progressista com as massas populares do país.

“A nossa intenção é produzir uma alternativa progressista, com o anúncio explícito de que essa alternativa não pretende antecipar as eleições de 2022, mas fazer um exercício inédito na vida brasileira, de construir um polo progressista capaz de dialogar com o centro político, e que seja capaz de antagonizar o vazio despolitizado e profundamente desmoralizado da burocracia do PT”, afirmou Ciro.

Ciro Gomes disse ao Valor que a intenção não é a de fechar canais de diálogo, mas de criar novos espaços políticos. “Não é uma intenção malévola de isolar. Formamos um grupo de quatro partidos: o PDT, PSB, PV e Rede. Temos alianças com o PSOL em Florianópolis e em Belém. E apoiamos o DEM em São Luís e Salvador. Essa é, portanto, a nossa grande articulação, tentando construir, com todas as dificuldades naturais, uma grande aliança de centro-esquerda que vá valer para o futuro”, assevera o político cearense.

Ciro também aborda, em sua entrevista, as eleições municipais deste ano, e apresentou uma previsão alentadora para quem está incomodado com a crescente polarização política e o cultivo do ódio que ela gerou.

“Candidato bolsonarista explícito não ganhará eleições, a não ser como exceção. Esse será um sinal. E acho que o PT também tem pouca chance de ganhar eleições pelo Brasil afora. Vejo em Recife uma chance, mas a condição de segundo turno para o PT é muito hostil”, afirmou Ciro.

Ele também comentou a situação econômica do povo brasileiro, que apesar de receber o auxílio emergencial da pandemia, continua espremido entre desemprego e informalidade.

“A equipe econômica, para mim, é o presidente da República. Esse papo furado do Bolsonaro é o bonzinho e o Guedes é o mal. Guedes vai ser demitido daqui a pouco, mas a responsabilidade por tudo isso é do senhor Jair Messias Bolsonaro. Ele que nomeou o ‘posto Ipiranga’ e ele é o responsável pelo que acontece no Brasil”, cravou Ciro Gomes.

Na avaliação de Ciro, Bolsonaro não está nadando em popularidade. Assim, ele demarca uma visão mais otimista do que a de muitos setores da esquerda brasileira de hoje.

“Bolsonaro não virou um presidente popular. Isso é mentira, é uma versão que convém ao Paulo Guedes e sua agenda. O que aconteceu foi que ele diminuiu a veloz degradação que fazia dele o presidente de pior avaliação entre todos os eleitos da redemocratização pra cá. Ancorou em torno de 35%, 37%. Qual explicação? É o emprego que está bombando? É a qualificação dos serviços públicos que está bombando? É a saúde dos brasileiros que melhorou? Não. Quando a pandemia se instalou no Brasil, 110 milhões de brasileiros já estavam ganhando R$ 413 por cabeça por mês. É a pior década econômica da vida brasileira. Aí de repente o camarada passa a receber R$ 600, sem precisar ir trabalhar, para enfrentar o pânico da pandemia. Fica revelado o limite da política compensatória do lulopetismo”.

Com informações Monitor Nacional


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