Procuradores da Lava-Jato em SP alegam divergência e apresentam pedido de demissão coletiva

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Procuradores da Lava-Jato em SP alegam divergência e apresentam pedido de demissão coletiva

Sete procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava-Jato em São Paulo enviaram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, ofício informando decisão de demissão coletiva. Os membros do Ministério Público Federal deixarão de atuar na Lava-Jato até o final deste mês. Na lista dos demissionários está a procuradora Janice Agostinho Barreto Ascari, coordenadora do grupo e cuja destacada trajetória no MPF fala por si.

Além de Ascari, deixam a Lava-Jato em São Paulo os procuradores Guilherme Rocha Göpfert, Marília Soares Ferreira Iftim, Paloma Alves Ramos, Paulo Sérgio Ferreira Filho, Thiago Lacerda Nobre e Yuri Corrêa da Luz.

No documento, os procuradores alegam “incompatibilidades insolúveis com a atuação da procuradora natural dos feitos da referida força-tarefa, Dra. Viviane de Oliveira Martinzes”. As razões que embasaram o pedido de demissão foram apresentadas à Corregedoria-Geral do MPF no âmbito de sindicância interna do órgão.

“Porque oportuno, indicam que, em favor de um período de transição, estão à disposição para adotarem providências finais a parte dos casos que vinham sendo conduzidos, e solicitam, para tanto, seja o efeito do desligamento ora solicitado iniciado a partir das datas abaixo discriminadas”, destacam os procuradores.

A demissão coletiva foi anunciada um dia após o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato no Paraná, anunciar que estava deixando a operação por problemas de saúde na família. Atualmente participando do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR, o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira substituirá Dallagnol no comando da força-tarefa em Curitiba.

A saída dos procuradores da Lava-Jato paulista acontece a esteira de alguns contratempos envolvendo a investigação que tem como alvo o senador José Serra (PSDB-SP). De acordo com o Ministério Público Federal, a Odebrecht pagou a Serra (ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital paulista), entre 2006 e 2007, cerca de R$ 4,5 milhões, montante que, segundo as investigações, foi usado nas campanhas do tucano ao governo estadual. Além disso, a empreiteira teria desembolsado cerca de R$ 23 milhões (R$ 191,5 milhões em valores atualizados), entre 2009 e 2010, para a liberação de créditos junto à Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, estatal paulista que foi extinta em 2019.

Em 29 de julho, no apagar das luzes do recesso do Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, deferiu liminar para suspender “toda a investigação deflagrada” pela 6ª Vara Criminal de São Paulo contra José Serra e sua filha, a empresária Verônica Serra. Horas depois da decisão do de Toffoli, ambos tornaram-se réus no caso. Na sequência, por “cautela”, o titular da 6ª Vara Criminal de São Paulo decidiu suspender a referida ação penal até novo entendimento do Supremo sobre o caso.

Na última semana, o ministro Gilmar Mendes, do STF, ampliou a liminar concedida por Toffoli e suspendeu a ação penal contra o tucano por suposta lavagem dinheiro, alegando que a liminar deve alcançar não apenas a ação penal, mas as investigações em curso.

Com informações Ucho


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