PT mostra cicatrizes do isolamento, mas diz que é tática

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A cúpula petista apresentou nesta segunda-feira sua versão para o isolamento político que deixa o partido sozinho na maioria das corridas eleitorais em cidades relevantes do país este ano.

Concorrendo sem aliados e com poucas chances de vitória em 14 capitais, o PT estaria na verdade optando por se apresentar isolado aos eleitores, a fim de recuperar sua imagem. “Tiramos uma tática eleitoral de estimular candidaturas próprias no maior número de cidades possível”, disse a presidente petista Gleisi Hoffmann em reportagem do Valor Econômico.

Gleisi comentou que o PT de São Paulo, por exemplo, havia cogitado apoiar Guilherme Boulos, mas o líder do PSOL lançou seu nome durante as prévias do PT e assim teria impossibilitado o apoio. No Rio de Janeiro, ela disse que a ideia do partido era apoiar Marcelo Freixo, mas que pela desistência do deputado federal em concorrer o partido se viu surpreendido e em resposta lançou Benedita da Silva.

Em Belo Horizonte, outro caso mal resolvido com o PSOL levou o PT à disputa sem aliados. Segundo Nilmário Miranda, o PSOL exigiu que a deputada estadual Áurea Carolina fosse a cabeça de chapa. “Eu a convidei par ser secretária de Mulheres e Direitos Humanos. O PT governou Belo Horizonte quatro vezes consecutivas. Era natural que o PT pleiteasse. Não houve intransigência”, disse ele.

É no Nordeste, no entanto, que o problema do PT se mostra com mais clareza. Até mesmo em praças onde a ideia é coligar, encontram-se dificuldades. Foi o que aconteceu em João Pessoa, onde o PT nacional mandou retirar a candidatura de Anisio Maia para apoiar Ricardo Coutinho, do PSB. A ordem foi rejeitada dos dois lados: Anisio prometeu se rebelar e manter a candidatura, e o PSB afirma que não deseja o apoio do PT nestas eleições.

Em Recife, o partido lançou Marília Arraes contra João Campos, do PSB, o que agravou a indisposição do comando do PSB contra o PT. A insatisfação do PSB é vocalizada com cada vez mais ênfase por seu presidente, Carlos Siqueira.

“Infelizmente, Lula não quer fazer uma frente, mas sim manter o exclusivismo petista. Se o PT tivesse responsabilidade, seu líder maior não sairia anunciando candidaturas próprias, mas sim procuraria unir todos da esquerda, abrindo mão de capitais. Mas o PT não quer aliança. O PT faz o que sempre fez, e é a cara do partido manter esse exclusivismo. Chega!”, disse Carlos Siqueira.

A única grande cidade brasileira em que o PSB estará junto ao PT nestas eleições é Salvador, mas por articulação do governador Rui Costa com respaldo de Jacques Wagner. Ali, o PSB terá a vice de Major Denice, do PT.

De seus aliados tradicionais, o PT conseguiu um apenas relativo entendimento com o PCdoB. Em Porto Alegre, o PT abriu mão de sua candidatura em prol de Manuela D’Ávila, e esperava retorno. A própria deputada gaúcha Maria do Rosário confessou na reportagem ao Valor. “Em Porto Alegre, em 40 anos será a primeira vez que o PT não terá candidatura própria. O PT foi generoso em reconhecer na Manuela uma candidatura para vencer. Para mim pessoalmente foi frustrante ver que o PCdoB não veio em outras cidades”, disse ela.

Em 2016, o PT saiu da condição de terceiro maior partido em número de prefeituras para a de décimo. E ganhou apenas uma capital, Rio Branco. Na capital acreana, aliás, o ex-prefeito petista Marcus Alexandre renunciou para disputar o governo estadual e foi derrotado. Sua vice, Socorro Neri (PSB) vai tentar a reeleição com um vice do PDT.

Com informações Monitor Nacional


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