Sobre Flávio Bolsonaro e a suposta censura à Rede Globo…

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Por Thiago Espindula

A notícia que tem movimentado as discussões deste Sábado é o fato da justiça do Rio de Janeiro ter proibido a Rede Globo de publicar documentos sigilosos a respeito da investigação sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro nos tais esquemas de “rachadinha” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Esse fato disparou um intenso debate nas redes a respeito do Brasil estar vivendo um ambiente de censura, inclusive com apoio de elementos da esquerda brasileira à Rede Globo.

Os tais esquemas de rachadinha, prática comum em inúmeras assembleias legislativas municipais, estaduais e federais, dizem respeito ao fato de Flávio Bolsonaro ter contratado funcionários que devolveriam parte do seu salário para a família Bolsonaro através de depósitos nas contas de Fabrício Queiroz (é justamente aqui que mora a possível motivação dos cheques destinados à Michelle Bolsonaro). Precisamos nos lembrar também de que familiares de pessoas ligadas às milícias trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, o que adiciona um agravante ao esquema das rachadinhas, que é o envolvimento com o crime organizado.

Como as investigações estão em andamento, existem inúmeros documentos que possuem caráter sigiloso, e é justamente aqui que mora a polêmica envolvendo o suposto caso de censura à Rede Globo, posto que a emissora alegava ter a intenção de divulgar informações sigilosas, motivo pelo qual foi barrada pela justiça. É importante refrescar a memória de todos a respeito do fato da Globo seguir esse processual desde os tempos da Lava-Jato para criar espetáculos jurídico-midiáticos que tem como objetivo promover um tribunal televisivo que condena publicamente políticos antes mesmo da justiça agir dentro da lei. Foi esse mesmo processual que foi levado a cabo contra o Partido dos Trabalhadores pela Lava-Jato e que contribuiu imensamente para a consolidação da antipolítica e do bolsonarismo, que foi legitimado nas urnas após o primeiro colocado nas pesquisas de 2018 ter sido preso, Luis Inácio Lula da Silva.

Nos últimos anos, o campo popular tem empreendido uma gigantesca luta na esfera da informação para demonstrar todo o “modus operandi” espúrio contido no arranjo jurídico-midiático brasileiro, que atua em prol dos interesses estrangeiros aqui dentro, como já foi extensamente comprovado pelos mais diferentes contatos entre figuras do judiciário com as forças norteamericanas. Foi justamente esse arranjo que destruiu a economia nacional, bagunçou a política, criminalizou a esquerda e está desmontando o patrimônio nacional, de forma que defender esse tipo de processual, só porque agora ele estaria supostamente se voltando contra o filho de Jair Bolsonaro, é não só uma contradição como um reforço de uma máquina que segue atuando contra os interesses do país.

Além disso, cabe compreender por que a Rede Globo costuma atacar esporadicamente Jair Bolsonaro, posto que é preciso demonstrar que o interesse da emissora não é trazer a verdade à tona ou derrubar o governo antipopular do ex-capitão, que, diga-se de passagem, está levando à frente todas as reformas neoliberais apoiadas pela própria emissora. É preciso entender que a grande mídia é utilizada pelos interesses que elegeram Bolsonaro para pressioná-lo, através de casos obscuros do seu passado, para que ele acelere as reformas antipovo e a entrega do patrimônio, motivo pelo qual foi colocado no poder. Porém, com isso não quero dizer que Bolsonaro tenha convicções protecionistas ou nacionalistas, mas que o ex-capitão sabe muito bem que essas reformas são extremamente impopulares e que tendem a destruir rapidamente o seu capital político e, consequentemente, a sua carreira política, o que não preocupa em nada a elite, que vê os políticos como bonecos descartáveis que são utilizados para a consecução de seus privilégios. É por isso que Bolsonaro atua no sentido de retardar a sua destruição como político, seja para preservar por mais tempo sua vida útil como ferramenta do imperialismo, seja porque tem algum apreço por uma história política que julga ter… Tanto que, quando Bolsonaro fala sobre “deixar para depois” alguma reforma ou privatização, logo vem algum fragmento do passado obscuro da família, que a elite utiliza como arma de “persuasão”.

O que acontece no caso da justiça barrando a Rede Globo é que Bolsonaro está utilizando a justiça do Rio de Janeiro para conseguir ter uma sobrevida política, lançando mão de um aparelhamento do Estado para se blindar de ataques e pressões, gesto hábil de um político que a esquerda rotula como ignorante e inconsequente. Ao fazer isso, Bolsonaro se revela portador de uma sapiência que faltou ao Partido dos Trabalhadores, que atuou no sentido de fortalecer instituições do Estado burguês que acabaram por, logicamente, agir contra o projeto do campo popular, levando a derrubada do governo e à ascensão da extrema-direita. É por isso que posicionar-se ao lado da Globo é não entender que ela não está trabalhando para enfraquecer o bolsonarismo, mas sim para utilizar os podres da família do presidente para acelerar reformas neoliberais.

Por fim, cabe ressaltar que propor uma luta pela liberdade de expressão para a Globo é uma desorientação para o campo popular, por constituir a defesa de uma emissora historicamente ligada aos interesses antipopulares, além de ser um recuo no esclarecimento em torno do “modus operandi” lavajatista. Além disso, o movimento de apoio à emissora separa a imagem dela da do bolsonarismo, confundindo a luta e gerando uma falsa sensação de polaridade entre os interesses da emissora e os do governo Bolsonaro, o que reforça a imagem de Bolsonaro como ídolo antissistema e a Globo como ativo confiável de um pretenso progressismo moderado. De todas as formas, a direita domina o espectro possível de opções políticas.

A seguir, vídeo discutindo o assunto abordado no texto.

Com informações Verdade Concreta


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