Desigualdade e dívida ameaçam economia mundial

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Combate à Covid-19 já exige US$ 11,7 trilhões.

“Os governos devem considerar aumentar impostos progressivos sobre indivíduos mais afluentes e aqueles relativamente menos afetados pela crise. Incluindo aumento de taxas para faixas de renda mais altas, propriedades de luxo, ganhos de capital e fortunas. Bem como mudanças na tributação corporativa para garantir que empresas paguem impostos proporcionais.” A recomendação não é de um economista do campo progressista. É do Fundo Monetário Internacional (FMI), a respeito da crise da economia mundial, no relatório World Economic Outlook, da semana passada, em que a Europa assiste à reincidência da pandemia.

O organismo multilateral diz mais. “As perdas persistentes de produção implicam um grande revés para os padrões de vida, em relação ao que era esperado antes da pandemia (em termos de desempenho da economia). Não apenas a incidência de casos de pobreza extrema aumentou pela primeira vez em mais de duas décadas, mas a desigualdade deve crescer, porque a crise afetou desproporcionalmente mulheres, trabalhadores informais e aqueles com baixo nível de escolaridade”, diz o FMI.

Segundo o relatório, as medidas de combate à covid-19, em termos fiscais, chegavam a US$ 11,7 trilhões (R$ 65 trilhões) no planeta, até 11 de setembro. Esse volume estaria equivalente a 12% do PIB global. No caso da economia brasileira, o fundo estima que a dívida bruta deve superar 100% do PIB ainda em 2020, ainda nem sequer superada a pandemia. Não só o FMI, mas o Banco Mundial e o G20 alertaram para o endividamento crescente de países emergentes. E também para a “desigualdade terrível” que a pandemia de coronavírus pode fomentar.

Para o economista Guilherme Mello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o mundo não virou de ponta cabeça. Mas, como ele observa, há um movimento de representantes dos países desenvolvidos no sentido de propor medidas de “legitimação do sistema”, diante da ameaça da crise. Além disso, acrescenta Guilherme Mello, o sistema patina. O crescimento é baixo, e tem ainda a transição de hegemonia dos Estados Unidos para a China, com sua economia centralizada. Para o analista, o Ocidente “está perdendo a batalha contra outro modelo de sociedade, o asiático”.

Nesse contexto, cabeças influentes, como o economista Paul Krugman, vêm defendendo ideias progressistas. “Estou disposto a pagar mais impostos para ter uma sociedade mais saudável”, disse o norte-americano em entrevista ao El País em janeiro. Seja como for, o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue firme com sua agenda. O professor da Unicamp classifica o ministro como uma “caricatura setentista friedmaniana no debate (em alusão ao economista Milton Friedman, teórico do liberalismo)”.

Com informações Monitor Digital


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