Eleições no Legislativo e descontrole dos neoliberais

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Matéria originalmente publicada no Jornal Puro Sangue

Por Arthur Kowarski 

Em “O Globo”, o quartel-general daquilo que o falecido jornalista Paulo Henrique Amorim chamava de PIG (Partido da Imprensa Golpista), os representantes do Neoliberalismo econômico “mercados livres” e “Estados mínimos” acastelam-se bradando contra os resultados das eleições no Legislativo, que sagraram Arthur Lira como presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco como presidente do Senado.

Em artigo publicado no dia 3, Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos e “consultora em investimentos” lamenta que a pauta liberal nunca tenha se consolidado no país. Apesar do discurso “monta-se um cenário de desmoralização do liberalismo. O governo se apresenta como liberal, mas não é”.

“Liberalismo não é para fracos”, acrescenta ela, assim dois terços da população brasileira não tem as mínimas condições para fazer poupança, muito menos entrar na ciranda do mercado financeiro. Diante do inexorável estouro da próxima bolha na Bovespa, que vai triturar as “sardinhas” para cobrir as perdas dos “grandes investidores” e seus “consultores”, resta culpar o governo por não ter seguido a agenda do “mercado”.

Vera Magalhães, também em artigo no mesmo jornal, vai mais longe e pede que o Supremo Tribunal Federal interfira no Legislativo e impeça a parlamentar Bia Kicis, bastante popular nas redes bolsonaristas, assuma a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Se possível até afastando Arthur Lira da presidência da Câmara, considerando ser ele réu em ação penal.

“É com isso que a sociedade alheia aos desígnios dos senhores deputados, que acham que podem fazer “passar a boiada” terá de contar: com a esperança de que o STF aja para impedir mais essa corrosão institucional”, afirma a jornalista, também âncora do programa Roda Viva.

A isso se soma o fim oficial da Operação Lava Jato. O que explica o alvoroço dos liberais de direita, preocupados com a força de Bolsonaro, que pode assumir um controle maior da agenda política do país. Executivo e Legislativo unidos podem fazer frente ao ativismo judicial. O mesmo Legislativo, na figura do Centrão, que foi acossado pela Lava Jato, ao passo que os deputados da base bolsonaristas desde o início dessa legislatura se colocaram em rota de colisão com o STF.

Durante os governos petistas, observamos as críticas deles à mída – sobretudo a Globo – e o Judiciário – no que tange o cerco a Lula – acusados por eles de assumirem postura golpista. Agora lamentam que Bolsonaro tenham assumido essa postura de enfrentamento que jamais ousaram quando estiveram no poder.


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