Em melhor cenário, economia brasileira só se recupera em 2023

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Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), por conta de o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ter caído 4,1% em 2020 em comparação com o ano anterior, as notícias seguem sendo desanimadoras por dois motivos.

O primeiro (e mais importante deles) é que a última vez que o Brasil cresceu significativamente foi em 2013 – 3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois, estacionou em 0,5% em 2014 e caiu nos anos seguintes: -3,5% em 2015 e -3,3% em 2016. Quando começava a indicar um cenário de retomada, com expansões tímidas do PIB em 2017 (1,3%), 2018 (1,1%) e 2019 (1,1%), veio a pandemia. Diante desses números, é possível dizer que o país só vai retomar o patamar do começo da década passada em 2023 – isso se daqui até lá sustentar um crescimento de, pelo menos, 2% ao ano. Em outras palavras, se nada der errado daqui para frente, o Brasil só voltará ao patamar de 2013 exatamente 10 anos depois. É, portanto, a verdadeira década perdida.

E esse é o segundo (e mais preocupante) motivo: as perspectivas de um crescimento nesse ritmo são poucas. Isso porque 2021 já começou com desafios enormes para a economia do país, com um primeiro trimestre marcado por uma nova queda do consumo das famílias em meio ao auge da crise de covid-19, cujos impactos se verão no PIB trimestral. Além disso, há ainda as dúvidas de longo prazo sobre a capacidade do governo federal em implantar uma política de austeridade fiscal cortando despesas.

Ainda que o PIB cresça entre 3% e 3,5% em 2021, será muito mais por conta do efeito comparativo da queda de 4,1% em 2020 do que um indicativo sólido da retomada econômica.

Para a Fecomércio-SP, o caminho pode começar a ser trilhado por uma verdadeira reforma do Estado, diminuindo tributos, acelerando investimentos e contendo a alta da inflação por meio de uma política de juros baixos.

A Fecomércio-SP também estima que, com a fase vermelha implantada pelo governo de São Paulo a partir de sábado, haja prejuízo de R$ 11 bi em março para o setor. A medida foi anunciada na última quarta e deverá valer até o dia 19 de março. O objetivo, segundo o governador João Doria (PSDB), é tentar conter o avanço do número de casos e mortes provocadas pelo novo coronavírus. Na última terça, o estado registrou o maior número de mortes por Covid-19 em 24 horas desde o início da pandemia, com 468 óbitos. No total, o estado já passou de 60 mil mortes provocadas pela Covid-19.

De acordo com a Fecomércio-SP, o valor é semelhante aos impactos mensurados de recuo médio mensal entre abril e maio de 2020, meses críticos da pandemia no ano passado. Só na capital a estimativa é de uma perda média de R$ 6 bilhões no mês em medição. Ainda segundo a instituição, se não houver fiscalização intensa em relação às irregularidades e atividades clandestinas, a medida adotada pelo governo não terá eficácia.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou nesta semana que o varejo já perdeu 75,2 mil lojas devido à pandemia. O saldo negativo anual de lojas é o maior desde a recessão em 2016. Segundo o CNC, sem o auxílio emergencial, o estrago seria ainda maior.

Com informações Monitor Digital


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