Privatização da Caixa é a mais rejeitada pela população

Caixa Econômica Federal
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Mais uma pesquisa de opinião mostra que os brasileiros são contrários à privatização da Caixa Econômica Federal. Levantamento feito entre os dias 8 e 10 deste mês pelo Instituto Ideia e o Exame Invest Pro, braço de análise de investimentos da Revista Exame, mostra que 44% dos entrevistados rejeitam a venda da instituição. De acordo com a pesquisa, apenas 21% posicionaram-se a favor da privatização da Caixa Econômica, enquanto outros 21% não souberam responder. O levantamento ouviu 1,2 mil pessoas e foi divulgado na última terça-feira.

“Outra vez, a sociedade mostra reconhecer a importância e o papel social do banco, posicionando-se claramente em favor da preservação deste patrimônio. Ainda mais em um momento econômico terrível como este e depois de a estatal provar que é essencial ao país”, avalia o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto.

“Esse temor é especialmente preponderante em relação a bancos públicos como a Caixa Econômica Federal, que pratica juros de financiamento da compra de imóveis menores do que aqueles do mercado em geral” explica o fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura. Segundo ele, “o tema continua polêmico” e um dos motivos é a preocupação que certas estatais poderão perder o objetivo social.

A pesquisa também abrangeu o Banco do Brasil, defendido por 38% dos entrevistados, a Petrobras (também com 38% de rejeição à privatização), a Eletrobras (35% de rejeição) e o Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados (31% de rejeição à venda). Além destas estatais, foram avaliados os Correios, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex) e a Telebras.

“De modo geral, há uma certa preocupação de que, uma vez privatizadas, as grandes estatais poderão focar só no lucro e deixar de atender adequadamente a população que mora longe dos grandes centros”, acrescenta Maurício Moura.

No início deste mês, a direção da Caixa registrou, em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de um dos braços mais rentáveis do banco público: a Caixa Seguridade. Em 2020, apesar das repercussões econômicas da pandemia, esta subsidiária obteve lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, o que representa um crescimento de 5,2% em comparação a 2019. Além da Caixa Seguridade, o governo já sinalizou a venda de mais segmentos estratégicas da Caixa, como Cartões, Gestão de Recursos, o ainda nem formalizado Banco Digital e até as Loterias Federais, cuja parcela relevante dos valores arrecadados é destinada ao Financiamento Estudantil (Fies) e para ações em Saúde, Segurança Pública, Seguridade e Cultura, além de outras áreas sociais.

“As pessoas percebem que a Caixa funciona muito mais do que um banco. A missão da empresa é proporcionar a realização dos sonhos das pessoas. É na Caixa que as pessoas realizam o sonho de comprar a casa própria, de cursar uma faculdade e ter a esperança de um futuro melhor. A real intenção dessa política de venda de subsidiárias e encolhimento da Caixa é a descapitalização completa da empresa, visando à privatização do banco público indutor de desenvolvimento econômico e social”, alerta Takemoto.

Com informações Monitor Digital


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