Henrique Mandetta – ‘Ministério paralelo’ de Bolsonaro agravou pandemia

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Em depoimento à CPI da Covid do Senado, nesta terça-feira, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou ter sido “publicamente confrontado” pelo presidente Jair Bolsonaro durante o enfrentamento inicial da pandemia.

De acordo com o ex-ministro, o presidente Jair Bolsonaro foi diretamente comunicado sobre a escalada da pandemia no Brasil. O então ministro apresentou a Jair Bolsonaro três cenários sobre a evolução da crise. No pior deles, a estimativa era de que o país poderia chegar a 180 mil mortos no final de 2020. O país encerrou o ano passado com quase 195 mil óbitos confirmados.

Mandetta citou reuniões em que os filhos de Bolsonaro participavam – especificamente o vereador Carlos Bolsonaro, o Carlucho. E deu a entender que o presidente seguia outras orientações que não as do Ministério da Saúde.

Questionado pelo vice-presidente da CPI da Pandemia, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Mandetta disse que a atuação do então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, dificultou a aquisição de insumos para o enfrentamento da pandemia. O ex-ministro da Saúde disse que “conflitos” dos filhos do presidente Jair Bolsonaro com a China também geravam “mal-estar”.

“Fui um certo dia ao Palácio do Planalto, e eles estavam todos lá. Os três filhos do presidente [deputado Eduardo, senador Flávio e Carlucho] estavam lá. Disse a eles que eu precisava conversar com o embaixador da China. Pedi uma reunião com ele. ‘Posso trazer aqui?’ ‘Não, aqui não’. Existia uma dificuldade de superar essas questões. Esses conflitos com a China dificultavam muito a boa vontade”, disse Mandetta.

Randolfe Rodrigues pediu a convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, após Mandetta dizer que Guedes “não ajudou nada”. “Pelo contrário, falava que já tinha mandado o dinheiro e que se virem. Vamos tocar a economia. Talvez tenha sido uma das vozes que tenha influenciado o presidente”, afirmou.

Pelo cronograma aprovado na semana passada, esta quarta-feira seria dedicada a ouvir o ex-ministro Eduardo Pazuello. Sob a justificativa de ter tido contato com dois assessores que foram diagnosticados com Covid-19, o general informou à CPI que não poderia comparecer ao Senado. O depoimento foi adiado por 15 dias.

O depoimento do antecessor dele, o médico Nelson Teich, que seria na tarde desta terça-feira, foi adiado para quarta. Na quinta-feira, será a vez do atual ministro, o cardiologista Marcelo Queiroga. No mesmo dia, os senadores também ouvirão o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

Com informações Monitor Digital


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