Petrobras – Ciro promete revogar vendas de ativos ‘a preço de banana’

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Durante seminário promovido pelo PDT intitulado “Petrobras: Legados trabalhistas”, o vice-presidente do partido, Ciro Gomes, candidato à Presidência da República em 2018, enfatizou que, para se reindustrializar, o Brasil precisa recuperar a capacidade da Petrobras de intervir estrategicamente. Prometendo reestatizar empresas como a Embraer e fazer a Petrobras voltar a ser uma empresa integrada caso chegue ao poder, Ciro argumentou que o petróleo está presente em diversos produtos que usamos diariamente e, portanto, está longe de perder importância geopolítica.

“Os principais produtores estão em convulsão política, enquanto a Rússia avança para se tornar o maior fornecedor de gás para a Alemanha, principal centro industrial da Europa. Em função disso, o restante do mundo se voltou para as fontes alternativas e os países produtores passaram a ser alvo de desestabilização política.”

Ciro criticou a política de preço de paridade de importação (PPI). “A população paga R$ 100 pelo gás, mas as pessoas não se sentem estimuladas a defender a Petrobras, pois havia corrupção, cujo impacto foi ampliado pela enorme campanha midiática. Vou nacionalizar e verticalizar novamente a Petrobras”, afirmou.

Ciro credita ao fracasso da atividade política a crise sem precedentes que o país enfrenta. Mas aposta no fim do neoliberalismo. “O que aconteceu para chegarmos ao fundo do poço? É o fracasso da política. Mas hoje o Brasil não está só para reeditar as iniciativas que fizeram o país ser líder do crescimento mundial entre 1930 e 1980. O primeiro-ministro do Reino Unido quer criar um banco estatal para financiar a infraestrutura. Nos EUA, Biden está investindo US$ 1,8 trilhão para fortalecer a indústria. O Brasil não está só.”

Por sua vez, o vice-presidente da Associação Engenheiros da Petrobras (Aepet), Felipe Coutinho ponderou sobre a dimensão estratégica das reservas do pré-sal, já que o petróleo mais barato de ser produzido está se esgotando e a tecnologia não é capaz de compensar. “A natureza, especialmente com recursos finitos, é quem dá a palavra final. É inevitável a exaustão dos recursos mais baratos. Daí a importância do pré-sal”.

Coutinho, no entanto, pondera que o pré-sal não é suficiente para, ao mesmo tempo, ser exportado e atender à demanda nacional por aumento do consumo de energia, que interfere diretamente no desenvolvimento humano. “Não existe país que tenha se desenvolvido exportando petróleo cru por multinacionais estrangeiras. Estamos fazendo isso com um consumo interno ainda rebaixado, com boa parte da população excluída da vida cidadã, pagando preços paritários aos de importação, destinando o páís a um ciclo colonial, com uma minoria se beneficiando, enquanto as perdas internacionais se avolumam.”

Felipe Coutinho lamentou que a diretoria da Petrobras, desde 2014, não tenha se manifestado veementemente contra a criação midiática do “mito da Petrobras quebrada”. “As gestões seguintes justificaram as privatizações para reduzir dívida, mas as vendas de ativos responderam apenas por 25% da redução da dívida. Os outros 75% dessa redução foi feita com geração de caixa”. O vice-presidente da Aepet lembrou que o programa de venda de ativos foi criado na gestão petista. “O maior plano de privatização história da Petrobras começou na gestão de Aldemir Bendine, com previsão de venda de ativos da ordem de US$ 57 bilhões”, criticou.

“Com a democracia em vertigem, temos hoje entre 200 e 300 campos de petróleo e gás descobertos pela Petrobras vendidos ou em processo de venda”, informou a geóloga Patrícia Laier, que é vice-diretora de Comunicação da Aepet. Lembrando a resistência de funcionários e políticos em ameaças já sofridas pela companhia ao longo de sua história, a geóloga converge com Ciro Gomes ao avaliar que hoje falta formação humana e cidadã às pessoas para entenderem o que vem ocorrendo. “Não apenas a sociedade, mas o petroleiro também precisa defender a Petrobras. Hoje vemos muita carência de informação”.

Com informações AEPET

 


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