Eles não querem que você saiba

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Por Roberto Pereira D’Araújo

Já repararam que eles se negam a aceitar que não houve investimento suficiente ?

Quem dá atenção às declarações de autoridades desse governo e mesmo de anteriores, assiste acusações apenas à escassez hídrica quanto á perigosa trajetória rumo aos apagões e racionamento.


Já repararam que eles se negam a aceitar que não houve investimento suficiente ? O atual governo, se mostrar essa verdade oclusa, pode perder o argumento de que o capital privado vai resolver tudo no Brasil.

Os governos passados também não querem admitir, pois, apesar de tentarem tudo para animar o capital (BNDES + parcerias com a Eletrobrás), sabem que não foi suficiente. A Eletrobras foi usada para reduzir as tarifas que não param de subir e foi obrigada a aceitar as parcerias minoritárias que lhe foram impostas.

Não é o Ilumina que vai delatar essas estratégias de marketing falsas!

Quem vai negar são as próprias instituições responsáveis por todos os dados do nosso caro setor elétrico. Vamos explicar:

1 – Como é que se escolhem projetos para expandir a oferta de energia no sistema brasileiro ?
Primeiro, faz-se uma projeção da evolução do consumo de energia no sistema.

Por singularidade do nosso parque gerador, que conta com reservatórios, simula-se a operação futura com uma série de projetos imaginados entrar em operação em datas determinadas.

2 – Como se decide qual o resultado correto e que vai gerar os futuros leilões ?


Primeiro se computa em termos médios quanto custaria, em média, 1 MWh a partir de uma amostra de projetos que poderiam atender a carga futura. Assim, calcula-se o CUSTO MARGINAL DE EXPANSÃO (CME).

Depois, numa solução extremamente lógica, escolhem-se as datas e os projetos que fazem com que o CUSTO MARGINAL DE OPERAÇÃO médio (CMO med) seja igual ao CME.

3 – Por que essa lógica ?

Porque quando o CMO med, ultrapassa o CME, há um sinal claro de que é mais barato expandir a oferta do que insistir em usar o mesmo sistema. Ou seja, adicionar mais usinas reduz o custo de operar o sistema.

4 – Que órgãos são responsáveis por todo esse cálculo ?
O CMO é um parâmetro cuja lógica é do Operador Nacional do Sistema.

O CME e a estratégia de equilíbrio são da Empresa de Pesquisa Energética.

5 – O que vem acontecendo nos últimos anos com esse equilíbrio oficial ?

Todos os anos a EPE calcula o CME, que, repetindo, é o valor do MWh quando se expande a oferta.


Portanto, se ao longo de um longo tempo, o CMO médio ultrapassa o CME, está declarado oficialmente o déficit de capacidade de geração.

A partir de 2017 a EPE passou a estimar duas parcelas do custo marginal de expansão. Uma relativa à energia e outra relativa à potência. Mesmo assim, o resultado combinado energia/potência, fica ainda abaixo do CMO. De qualquer modo, nós consideramos que, na atual trajetória, um racionamento de energia (MWh) é muito mais grave do que possíveis falhas no atendimento à ponta de consumo.

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O gráfico abaixo mostra, com dados oficiais, que a tese de que houve investimento suficiente para garantir o suprimento ao consumo é falsa.

A linha azul é o dado do CMO oriundo do ONS.

A linha pontilhada vermelha é o CMO médio (média móvel de 2 anos).

A linha preta é o CME oriundo da EPE.

Como a linha pontilhada vermelha esteve sempre acima da linha preta, podemos afirmar que os próprios critérios vigentes no setor dizem que:

Não houve investimento suficiente para o equilíbrio entre oferta e demanda por 7 anos. Essa é a verdadeira razão do esvaziamento dos reservatórios.

Eles não querem que o consumidor saiba disso.

Com informações Ilumina


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