Cesar Benjamin – Dois pesos e Duas medidas

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A questão da PEC recentemente derrotada, que propunha um mecanismo de controle do Ministério Público pelo Congresso, é controversa.


Se eu estivesse no Congresso, não sei como votaria. Precisaria estudar melhor a questão.

De um lado, é claro que o MP, como todas as demais instituições, deve estar sujeito a limites, o que significa algum tipo de controle externo. De outro, não se pode ignorar que a PEC se insere num amplo movimento que vem afrouxando os controles sobre a corrupção endêmica na política brasileira.

Tal movimento tem sido vitorioso porque os políticos tradicionais e boa parte da esquerda estão unidos na mesma causa. Daí a surpresa com a recente votação no Congresso, que – tenho certeza – será revertida.

Quando veio à luz o comportamento de Sérgio Moro e dos procuradores durante a Operação Lava-Jato, eu logo passei a defender a nulidade das condenações, pelo caráter viciado dos processos. Não se tratava de defender Lula, como alguns me acusaram, mas de defender o princípio de que todos temos direito a julgamentos, na medida do possível, imparciais.

Mantenho a minha posição. Mas não me somo aos que passaram a demonizar o combate à corrupção e a vitimizar os governos do PT, de fato muito corruptos.

A completa ausência de autocrítica por parte da esquerda é uma posição cômoda, mas que cobra altíssimo preço moral e político. A prova disso é Bolsonaro na Presidência.

Se Lula é declarado inocente porque seus processos não prosperaram, então todos os demais – Eduardo Cunha, Aécio Neves, os tucanos paulistas, Michel Temer, Geddel Vieira Lima etc – são inocentes também.

Culpados, no Brasil, somente os pobres. Há mais de 300 mil deles nas cadeias sem terem recebido nenhuma condenação. Deve haver mais 300 mil condenados apenas em primeira instância.

Hoje, os corruptos brasileiros dormem tranquilos. O máximo que podem sofrer, se forem pegos, é algum incômodo por uma exposição pública transitória. Nada que um foro privilegiado não resolva. Punição de verdade não haverá.

Políticos de esquerda e de direita comemoram: unidos, venceremos.

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