Como é o usado o dinheiro do Paulo Guedes nos paraísos fiscais

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Por Pedro Augusto Pinho

Não sei, nem vou procurar, como o Paulo Guedes e Roberto Campos Neto juntaram os milhões de dólares estadunidenses (USD) que colocaram em paraísos fiscais. Também não me importa saber com que laranjas o bilionário Fernando Henrique Cardoso colocou seu dinheiro no exterior. O mesmo com os riquíssimos José Serra e outros tucanos e demistas de diversas designações partidárias, conforme o Banestado/CC5 e outros escândalos.

Pretendo desvendar como este dinheiro será usado, será aplicado, para ganhar ainda mais dinheiro, e como estas riquezas circulam.

Neste século XXI, a movimentação financeira não mudou em seu objetivo de expansão e domínio, mas mudou em quantidade e destinos.

Alguns dos meus caros leitores viveram as crises do petróleo, a partir de 1968, mas todos sentiram as consequências provocadas pelo sistema financeiro internacional ao longo do século passado.

Houve uma transformação de conteúdo nos meios e destinos destes bilhões e trilhões de dólares estadunidenses.

As finanças internacionais, no início do século XX, ainda eram majoritariamente nacionais: inglesas e estadunidenses. O que as diferenciavam eram as aplicações. E isso será muito relevante para o século seguinte, os nossos anos 2000.

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Os capitais estadunidenses estavam, já há mais de um século, concentrados na produção: as grandes empresas internacionais, o diferenciador desenvolvimento tecnológico, em uma sociedade que explorava mas retribuía a contribuição do trabalho: na literatura sociológica, política, econômica era denominada sociedade do consumo, do bem estar, da abundância, “afluente society”, rica e afluente, abastada e crescente, assim designada, em 1958, por John Kenneth Galbraith (1908-2006).

Do outro lado do Atlântico, os capitais já estavam em mãos dos rentistas, a aristocracia inglesa que, desde o século XVII, ciosa de seu poder, controlava a moeda, pois, no controle da moeda, se controlava a sociedade. Uma sociedade nada afluente, que mantinha os benefícios sociais no estrito limite da contenção e controle do povo, com amplo uso da pedagogia colonial. Por que o imposto deveria manter, não uma, mas várias famílias, que só tinham a expertise de gastar? Resposta: pela doutrinação que precede a existência (desculpe-me a blague, Jean-Paul Sartre).

Mas estes capitais, aparentemente lutando do mesmo lado, disputavam o poder, que ficou ainda mais difícil com a introdução de um terceiro contendor: o socialismo soviético, após 1918.

E assim tivemos as denominadas guerras mundiais (28/07/1814-11/11/1918 e 01/09/1939-02/07/1945) e uma pletora de guerras regionais, golpes de estado e outras agressões à manifestação popular, contra a pedagogia colonial e pelas soberanias nacionais.

Mas aquela finança inglesa sabia a importância do planejamento e do cinismo nas lutas. A partir da sua derrota na II Grande Guerra, começou a articular a queda dos dois vitoriosos: o capitalismo industrial dos Estados Unidos da América (EUA) e o socialismo também industrial da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Dentro destas guerras que surgiram as “crises” do petróleo, nos anos 1970. “Crises” será a denominação que as tramas financeiras usaram para avançar no controle da sociedade e na destruição da sociedade afluente e da sociedade socialista.

A sociedade de hoje é a da concentração de renda, do desemprego, da doença, da miséria e da morte: este é o paraíso, como se denomina seus locais de acúmulo de dinheiro, e para onde fluem.

Se os caros amigos forem procurar o destino deste dinheiro, os meios de divulgação, em sua quase totalidade, vão apresentar investidores institucionais e fundos mútuos. Há um trabalho de ocultação muitíssimo bem articulado e executado de retirar uma parcela significativa do que circula nas redes financeiras mundiais. Aliás, a globalização só existe para as finanças. Estas entram e saem dos países sem registro nem licença. Você, leitor, é quem precisa de passaporte e vistos, quando não lhe impedem muros, não apenas virtuais mas físicos (EUA e Israel, por exemplo).

Investidores institucionais são os próprios gestores de ativos. Não tomarei seu tempo enumerando-os. Apenas para seu controle vou enunciar os “big 10”, os dez maiores, por ordem do maior para o menor, conforme o último levantamento, em 2020, precovid: BlackRock (pouco superior aos 10 trilhões de USD), Vanguard Group, UBS (suíço), Fidelity, State Street Global Advisors (SSgA), Allianz (alemão), JP Morgan, Goldman Sachs, Bank of New York e PIMCO (com míseros três trilhões USD).

Estimado o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, em 2020, em USD 215 trilhões, os 12 maiores gestores de ativos devem representar cerca de um quarto da riqueza material, palpável, física do planeta. Muita corrupção tem aí sua fonte.

E para onde vai este dinheiro ? Quem o controla ?

Comecemos nas crises do petróleo, de onde surgiram os petrodólares. As finanças, em suas especulações, usam muito pouco produtos reais. Por exemplo, um barril de petróleo, uma tonelada de trigo ou de milho, o cubado minério de ferro etc. Elas usam papeis representativos. E não apenas papéis com lastro em produtos realmente existentes, mas sem qualquer suporte na real existência: são os derivativos. Os derivativos surgiram como seguro de receita futura e se transformaram em existência virtual de bens.

Com um barril físico de petróleo, se vende mil barris inexistentes. Imagine que existe quem aplique em fundos de derivativos!!

Havia uma crise em ponto de explodir, com enorme quantidade de derivativos podendo ser resgatada sem suporte real. Os petrodólares vieram “salvar” as finanças deste escândalo. Um novo 1929. Mas nada neste universo ocorre por uma única vertente. No caso das “crises do petróleo”, interessava aos países produtores, em especial aos xeiques árabes, que recebiam há décadas a mesma quantidade de moeda (menos de um dólar na mesma base de preço) pelo seu barril de petróleo, que enriquecia as refinadoras e distribuidoras, todas do complexo OTAN (EUA-Europa Ocidental).

Também interessava às petroleiras anglo-europeias-estadunidenses que haviam descoberto petróleo no Mar do Norte, mas cuja produção era muito cara para os preços de venda do óleo cru, na época. Também o aspecto geopolítico de um petróleo fora do “terceiro mundo”, para pressionar preços e governos.

Como se vê, um conjunto de interesses, somados à falsidade do interesse ecológico, que jamais existiu nas finanças, serviu para a demolição do poder industrial e ascensão do poder financeiro.

E isto passa a ocorrer na década seguinte, nos anos 1980, com as desregulações financeiras no Reino Unido (Margaret Thatcher), contendo também reivindicações trabalhistas e atribuindo aos partidos “de esquerda” (sic) seus problemas financeiros, e nos EUA, com Ronald Reagan, com um discurso neoliberal, de liberdade competitiva e empreendedorismo, impossíveis num sistema concentrador de renda.

As farsas, fraudes, mentiras, corrupções acompanham as finanças desde tempos imemoriais. Apenas com discursos e práticas adequadas aos momentos.

Chegamos então à década de 1990 com o triunfo do decálogo do Consenso de Washington (1989) e o fim da URSS, em 1991.

Mas não sei se havia a intenção das finanças tradicionais em abocanhar o dinheiro das atividades ilícitas ou foram surpreendidas por estes capitais marginais.

O fato é que, talvez como teste, estes capitais das drogas, dos contrabandos, da prostituição e tráficos de pessoas e órgãos humanos colocaram, ao longo dos anos 1990 (de 1990 até 1999), quatro trilhões de dólares percorrendo o mundo nos circuitos financeiros.

E, além da multiplicação de paraísos fiscais, em dezembro de 2019 eram 84, os capitais marginais também assumiram o controle de alguns gestores de ativos. E se explica facilmente. Primeiro pela alta rentabilidade das drogas e destes ilícitos. Segundo por se tratar de dinheiro à vista, “cash”, ninguém compra droga ou contrabando ou paga a corrupção em “suaves prestações mensais”. É tudo no momento, não há derivativos para a marginalidade. Risco mínimo. Apenas brigas pelo controle, como as finanças fizeram, por todo século XX, com as industrializações.

Temos então três grupos de aplicações.

Primeiro colocarei os ativos efetivos reais. Estes são propriedade dos Investidores Institucionais e dos Fundos Mútuos. Exemplo: a General Electric, mesmo tendo se desfeito de ativos, ainda é uma expressiva empresa mundial, fabricante de turbinas de avião, geração de energia, serviços financeiros, processamento de água, diagnóstico por imagem e entretenimento. Ela tem 38,90% de suas ações com Fundos Mútuos, quais sejam: Vanguard Total Stock Market Index (2,8%), Vanguard 500 (2,09%), T. Rowe Price Appreciation (2,02%), American Funds Investiment (1,46%) e T. Rowe Price Value (1,13%) e outros. Nestes todos podem comprar cotas. E 37,90 % com Investidores Institucionais, como: Eagle Capital Management (10,24%), T. Rowe Price (9,25%), The Vanguard Group (7,08%), Fidelity M&R (4,61%) e BlackRock (4,13%), onde é mais difícil colocar seu capital.

Mas há fundos especializados em vender derivativos, ou seja, um “pedaço” de ar. Constitui o segundo grupo para aplicações, que sempre prometem, como é óbvio, rendimentos maiores do que os Fundos Mútuos já citados e seus parceiros. Em 2014, a última estatística divulgada sobre derivativos, apontava que os 14 maiores bancos internacionais haviam colocado USD 710 trilhões no “mercado”. Mesmo com as altas e baixas da economia, não é excessivo calcular que tenhamos, em 2020, USD 900 trilhões em derivativos, ou seja, mais do que quatro PIBs mundiais. Haja pedagogia colonial!

Finalmente, no mais rentável, que certamente é parte importante dos gestores de ativos e não aparecem em suas aplicações de Investidores Institucionais, os investimentos em ilícitos, nos capitais marginais, aqueles que levam crianças da Amazônia para ser objeto de taras sexuais de potentados por todo mundo, que vendem drogas nas portas das escolas, e como narrou, com detalhe, a economista e jornalista italiana Loretta Napoleoni (Economia Bandida) aproveitaram o fim da URSS para construir rede de prostituição pela Europa Oriental, Oriente Médio e alguns países da União Europeia.

Dito e demostrado tudo isso: onde o Guedes e o Campos Neto aplicam seu dinheiro?

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Com informações Pátria Latina


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