Crise no Brasil é mais grave porque juro de Bolsonaro e Guedes é mais alto

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“Enquanto as previsões de crescimento da América do Norte são de 3,6% para 2022, da Europa Ocidental são de 3% e da própria América do Sul são de 2,4%, o Brasil de Bolsonaro, Guedes e Campos Neto tem uma previsão de crescimento de incríveis 0,8%”, ressaltou o economista

“A política monetária no Brasil está a serviço da redistribuição de renda de toda a sociedade para os rentistas”, afirmou o economista e professor do Departamento de Economia da UnB, José Luis Oreiro, em entrevista ao HP, ao destacar que, quando o Banco Central (BC) aumenta a taxa básica de juros (Selic), ele está “agravando o problema da recessão sem resolver o problema da inflação”.

“O choque de oferta sobre as cadeias globais de suprimentos devido a Covid 19 e sobre os preços da energia e dos alimentos devido à guerra da Ucrânia estão afetando todos os países do mundo. Mas, enquanto as previsões de crescimento da América do Norte são de 3,6% para 2022, da Europa Ocidental são de 3% e da própria América do Sul são de 2,4%, o Brasil de Bolsonaro, Guedes e Campos Neto tem uma previsão de crescimento de incríveis 0,8%. Qual o erro de política macroeconômica que estamos cometendo que os demais países não cometeram? Aumentar de forma súbita e violenta a taxa de juros básica, a Selic, para combater uma inflação de custos importada do resto do mundo”, ressaltou o economista.

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“Terraplanismo econômico em extrato puro com o único objetivo de beneficiar o 1% mais rico do Brasil. Esse é o governo Bolsonaro. Um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos. Que os desempregados e miseráveis se explodam”, criticou Oreiro.

José Oreiro comentou a revisão de crescimento da economia brasileira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) esta semana de 0,3% no início do ano para 0,8%, comemorado pelo governo e alguns economistas.

“Alguns economistas liberais estavam comemorando essa reavaliação do FMI que passou o crescimento de meio por cento para 0,8% esperado para a economia brasileira em 2022, como sinal de que os economistas keynesianos desenvolvimentistas estavam com diagnóstico errado do baixo crescimento brasileiro, que é um problema de oferta e que portanto não adianta estimular a demanda agregada porque não vai estimular o crescimento. Eles usaram isso, justamente para apoiar a política do Campos Neto [presidente do Banco Central] que nós estamos criticando desde março do ano passado de elevação da taxa de juros”, sustentou.

Elevar os juros “não vai ter nenhum impacto sobre a inflação”, destacou Oreiro, ao ressaltar que “o Banco Central do Brasil é um dos poucos bancos centrais do mundo que está elevando a taxa de juros num contexto de um choque de oferta importado”.

“O banco central norte-americano [Federal Reserve] só aumentou marginalmente a taxa de juros, em 0,25%. O Banco Central Europeu manteve a taxa de juros em menos 0,5%. Então, há um consenso entre os países desenvolvidos de que o problema inflacionário atual não pode ser resolvido pelos instrumentos tradicionais de política monetária. E que, se você elevar a taxa de juros, você só vai agravar o problema da recessão sem resolver o problema da inflação”, sublinhou o professor do Departamento de Economia da UnB.

“Por que o Brasil está agindo diferente?”, questionou o economista. “Porque basicamente a política monetária – como todos nós keynesianos sempre dissemos – a política monetária no Brasil, ela está a serviço da redistribuição de renda de toda a sociedade para os rentistas. Exatamente isto é o que está acontecendo. Não vai ter nenhum impacto sobre a inflação. A inflação [no Brasil] vai começar a cair a partir do momento da estabilização do conflito na Ucrânia e a normalização das cadeias globais de suprimento fizer com que os preços das commodities, dos alimentos e energia comecem a cair em dólares no mercado internacional. Enquanto isto não acontecer, a inflação não vai ceder”, afirma o economista Oreiro.

Desde março de 2021, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros com o fim de controlar a inflação, que encerrou o ano acima dos dois dígitos, com alta de 10,06%, o maior aumento desde 2015. E mesmo com a taxa Selic em 11,75% ao ano, a inflação continuou avançando em 2022, corroendo o poder de compra das famílias brasileiras.

Em março, o IPCA – indicador de inflação oficial do país – avançou para 1,62% – a maior variação para este período desde 1994, segundo o IBGE. Em 12 meses, o Índice acumula alta de 11,30%.

Com informações a Hora do Povo


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