O litro do diesel pode chegar a R$ 10 no segundo semestre

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Com alta de 0,9% em maio, gasolina comum chega a R$ 7,592 e acumula aumento de 30,18% em um ano.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) alerta para o risco de o litro do óleo diesel atingir R$ 10 no segundo semestre do ano, acima dos atuais R$ 7, em média, com impactos ainda mais severos sobre a inflação e às vésperas da colheita da safra agrícola, quando aumenta a demanda pelo derivado.

“A crise está contratada”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, ao comentar a inoperância do governo Bolsonaro diante da iminente ameaça à segurança nacional, provocada pela demora na tomada de decisões de importações e formação de estoques de diesel em tempo hábil.

Análises feitas pela área econômica da FUP indicam que estão dadas as condições para nova escalada de preços dos combustíveis: com estoques globais em níveis historicamente baixos, resultando na valorização das cotações de referência e dos prêmios de exportação, a gasolina e o diesel estão cerca de US$ 60 por barril acima do preço do petróleo. Segundo projeções, o barril de petróleo poderá chegar à faixa de US$ 120 nos próximos dias, e não está descartada a possibilidade de atingir o pico de US$ 130/ US$ 140 no final de junho ou início de julho e de o crack spread (diferença entre o preço do barril de petróleo e o preço do barril do derivado) se valorizar ainda mais. Soma-se a isso o custo do frete, em torno de US$ 9,20 por barril de diesel importado do Golfo Arábico ou da Índia (únicos pontos disponíveis atualmente), para o Brasil, o que elevará o preço do derivado para US$ 196, até US$ 200. Se houver escassez de diesel no mundo, como já se anuncia, o crack spread poderá ser ainda maior.

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Bacelar lembra ainda que são necessários entre 45 dias e 60 dias para o produto chegar ao Brasil. Tempo demais. Segundo informações obtidas por ele, os estoques da Petrobrás equivalem a 14 dias de produção.

Diante do quadro de restrições de oferta internacional, distribuidoras no Brasil já se ressentem de dificuldades de importações de derivados. De acordo com relatos, em fevereiro (ainda antes da invasão da Ucrânia), quando pedia uma cotação de carga, o distribuidor recebia cerca de 20 propostas comerciais; agora, dificilmente se consegue mais do que uma cotação por dia.

“Nada mais caro do que não ter”, diz Bacelar, prevendo risco de desabastecimento de diesel no Brasil, probabilidade de adoção de racionamento entre julho e agosto, e importações do produto de origens mais distantes e com qualidades distintas.

Consultorias preveem o segundo semestre mais difícil, não somente pela temporada de furacões nos EUA (junho a novembro) como também pelo aumento de demanda do derivado no Hemisfério Norte.

O preço médio da gasolina fechou o mês de maio em R$ 7,592, o maior valor já registrado pelo levantamento, que começou em a ser realizado em janeiro de 2019. Em comparação com abril, quando a média nacional era de R$ 7,524, o valor subiu 0,9%. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 30,18%. As informações constam em levantamento feito pela ValeCard. Entre os dias 1º e 28 de maio, os dados mostram que Bahia (5,77%), Amapá (3,56%) e Ceará (1,87%) registraram as maiores altas no valor do combustível. Entre os estados que apresentaram as maiores quedas estão Pernambuco (-1,32%), Rio Grande do Norte (-1,31%) e Acre (0,43%).

Entre as capitais, o valor médio do combustível foi de R$ 7,559, o que representa um aumento de 0,87% em relação ao mês anterior. Pelo segundo levantamento consecutivo, Teresina (R$ 8,195), Rio de Janeiro (R$ 7,831) e Aracajú (R$ 7,890) foram as capitais com preços mais altos no mês de maio. Já os menores valores médios foram encontrados em Porto Alegre (R$ 6,852), Cuiabá (R$ 7,026) e São Paulo (R$ 7,064).

Já o preço médio do etanol em maio foi de R$ 5,291, uma alta de 1,19% em relação ao mês anterior. O etanol passou a ser mais vantajoso apenas no Estado de Goiás, onde a média mensal ficou em R$ 5,243, enquanto a gasolina atingiu R$ 7,685. A gasolina ainda segue sendo mais atrativa para se abastecer o veículo do que o álcool na maior parte dos casos.

O método utilizado nesta análise, descontando fatores como autonomias individuais de cada veículo, é de que, para compensar completar o tanque com etanol, o valor do litro deve ser inferior a 70% do preço da gasolina.

Com informações Monitor Mercantil


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